Rio - Mano Menezes vai estrear hoje como técnico da seleção brasileira, em amistoso contra os Estados Unidos, em Nova Jersey. Mas, antes mesmo do primeiro compromisso pela equipe, sua vida já mudou. Muitos dizem que seu cargo é tão ou mais importante que o de presidente da República. Apesar dos poucos dias de trabalho em seu novo desafio, Mano já sentiu o quanto passou a ser cobiçado: participou do Programa do Jô, entre outros, e viu aumentar o assédio da mídia e dos torcedores ao assistir in loco aos jogos entre São Paulo e Internacional, na última quinta, no Morumbi, e entre Flamengo e Vasco, há nove dias, no Maracanã.
Ser técnico da seleção traz dinheiro, fama e abre muitas portas, especialmente para quem for bem. Mas também há um preço a se pagar. A pressão é muito grande, a cobrança idem, e a família e os amigos ficam em segundo plano. O último técnico do Brasil, Dunga, é exemplo perfeito do quanto a função é desgastante. Num dia é exaltado, no outro torna-se o inimigo público número 1. Dunga aumentou sua renda ao participar de diversas propagandas, recebeu elogios pelos títulos da Copa América e da Copa das Confederações, mas saiu com a imagem arranhada por causa da eliminação diante da Holanda na Copa do Mundo da África do Sul, do seu temperamento explosivo e da inabilidade no trato com a imprensa.
Provável figura mais identificada com a seleção, Mário Jorge Lobo Zagallo sabe como ninguém o que significa comandar o time de futebol mais conhecido e respeitado do mundo. ''Você fica sendo o alvo. A vida pessoal fica um pouco prejudicada, mas é uma troca. Tem de ser o sonho de todo profissional. A seleção abre um campo de trabalho muito grande'', disse Zagallo, técnico campeão do mundo em 1970.
Para ele, muitos treinadores têm dificuldades de lidar com as obrigações e os inevitáveis momentos ruins. ''Dentro da seleção, você vai colher rosas e cravos. Quando ganha, é o melhor; quando perde, é o pior do mundo. Mas isso faz parte da vida dos técnicos'', afirmou o Velho Lobo, bicampeão mundial como jogador da seleção, em 1958 e 1962.
Com o prestígio de quem construiu grande parte de sua carreira com a camisa verde e amarela - tendo participado de sete Copas defendendo a bandeira de seu País -, Zagallo ficou surpreso com a decisão do técnico Muricy Ramalho de permanecer no Fluminense em vez de aceitar o convite para assumir a seleção. ''Para mim, foi um erro. Não se pode trocar uma seleção pelo clube. Pode ser uma chance única na vida, que você tem de agarrar na hora''.
Zagallo demonstrou satisfação com a escolha de Mano Menezes. ''Ele está começando a carreira, mas já tem bom currículo. Resgatou o Grêmio e o Corinthians da Segunda Divisão. Apesar de jovem, mostrou que tem confiança em si e não titubeou quando recebeu o convite''.

mockup