Vizinhos, Zé Luis e Keirrison ficarão em lados opostos
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quinta-feira, 26 de março de 2009
Juliano Costa e Marcius Azevedo<BR>Agência Estado 
São Paulo - Keirrison já fez dois gols no Santos, sentiu a pressão que é um jogo contra o Corinthians, mas talvez ainda não tenha se dado conta que o grande rival do Palmeiras na atualidade é o São Paulo - por causa de toda a tensão envolvendo bastidores e partidas decisivas nos últimos anos. O artilheiro palmeirense ouviu isso de um vizinho, ontem, numa conversa informal no hall do condomínio onde mora em Perdizes, zona Oeste da capital paulista. O tal vizinho sabe bem o que fala: é o volante Zé Luís, um dos titulares do time são-paulino.
Clássico entre São Paulo e Palmeiras é diferente. Você vai ver, avisou Zé Luís. Os dois conversaram por 15 minutos nesta quinta-feira. Apesar de morarem no mesmo condomínio, eles nunca tinham se encontrado. A gente está sempre viajando e os elevadores são diferentes. Só poderíamos ter contato na garagem e olhe lá, disse o volante são-paulino.
Os dois trocaram ideias, elogios e falaram sobre assuntos do dia a dia dos dois clubes - como uma autêntica conversa entre bons vizinhos, no elevador. O são-paulino quis saber do palmeirense, por exemplo, quando seria o jogo contra o Sport (dia 8 de abril, pela Libertadores). E desejou boa sorte. Mas quando o assunto é o clássico de sábado, a rivalidade voltou à tona.
Todos os jogos contra o Palmeiras no ano passado foram dureza. Tinha um pessoal encardido, o Léo Lima, o Kléber, o Martinez, e o pior de todos, o Valdivia, que joga demais, mas é muito chato, disse Zé Luís, rindo - e sem nenhuma saudade do meia chileno, que brilhou com a camisa palmeirense e hoje está no futebol árabe.
Keirrison estava no Coritiba durante o auge da rivalidade entre Palmeiras e São Paulo, no ano passado - a semifinal do Paulistão, com gol de mão de Adriano e a partida de volta conhecida como o jogo do gás, e o duelo do segundo turno do Brasileirão, que teve Borges e Diego Souza expulsos por trocarem empurrões logo aos sete minutos. Vendo de longe, eu percebia que a rivalidade era muito grande, como aquela entre Coritiba e Atlético-PR, disse o atacante. Acho que é mais, hein, emendou Zé Luís.
O clássico de sábado, no Morumbi, vale mais para o São Paulo, que ainda não está garantido nas semifinais do Paulistão. Classificado, o Palmeiras, lógico, não quer saber de perder - vai tentar atrapalhar o rival do jeito que der. A procura por ingressos tem sido tímida, mas Zé Luís espera um duelo agitado. Ele e Keirrison pedem paz entre as torcidas. É importante que todo mundo mantenha a calma, sabendo que isto é apenas um jogo, disse o palmeirense. Já tivemos confusão no clássico com o Corinthians e recentemente a torcida do Santos entrou em confronto com a polícia. Isso não pode acontecer novamente, concordou o são-paulino.
Antes de Keirrison, outro palmeirense morava no condomínio de Zé Luís: o atacante Alex Mineiro (hoje no Grêmio). O prédio fica a apenas cinco quadras do Palestra Itália, mas há vários jogadores são-paulinos na vizinhança, como André Dias, Joílson, Arouca e Wagner Diniz. No prédio deles, porém, a maioria dos moradores torce para o Corinthians. De vez em quando eu encontro um engraçadinho no elevador, disse o volante do São Paulo.


