'Vivo a fase mais completa da carreira'
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terça-feira, 06 de outubro de 2009
Eduardo Maluf<br> Agência Estado 
São Paulo - Novembro de 2007, Luís Fabiano já havia ''esquecido'' a seleção brasileira, dizia estar ''desencanado''. Parecia conformado em - daqui a alguns anos - encerrar a carreira sem disputar uma Copa do Mundo. A maior oportunidade, em 2006, na Alemanha, acabou fugindo. Até que ele foi chamado por Dunga para um jogo contra o Uruguai e iniciou a história que todos conhecem. Tornou-se titular incontestável da seleção, foi artilheiro da Copa das Confederações e é o principal goleador das Eliminatórias.
Luís Fabiano iniciou ontem, junto aos demais jogadores, o trabalho, em Teresópolis (RJ), para os dois últimos jogos das Eliminatórias, contra a Bolívia, domingo, em La Paz, e a Venezuela, no dia 14 de outubro, em Campo Grande. Ainda mais motivado. No último domingo, seu time, o Sevilla, acabou com a pose e a série invicta dos galácticos do Real Madrid: vitória por 2 a 1. Atuando pela equipe espanhola desde 2005, ele ganhou duas vezes a Copa Uefa, uma Supercopa Uefa, uma Copa do Rei e uma Supercopa Espanhola. E, principalmente, maturidade.
Agência Estado - Hoje ninguém o vê fora da Copa e fora do time titular. Também se considera garantido?
Luís Fabiano - Hoje vivo a fase mais completa da minha carreira, apesar de não ter conquistado título na última temporada com o Sevilla. Na seleção, essa fase vem concretizando minha posição de titular, mas sinceramente ainda não me vejo na Copa. Só vou acreditar, mesmo, quando sair a convocação final. Mas sei que dei um grande passo, e me sinto titular atualmente.
AE - Esteve perto, mas não foi à Copa da Alemanha. Não acha que foi por causa do comportamento, de algumas expulsões?
Luís Fabiano - Não foi o comportamento que me tirou daquela Copa. Acabei me machucando na época de uma convocação importante. Mas claro que o comportamento é muito importante. Adquiri experiência e aprendi a lidar com situações difíceis dentro de campo, a indisciplina faz parte do passado.
AE - Depois de 2006, desistiu da seleção ou tinha esperança?
Luís Fabiano - Quando o Dunga entrou (em agosto de 2006), surgiu uma esperança. Ficava na expectativa de ser convocado, mas nunca era chamado. Estava perdendo a esperança. Quando desencanei totalmente, veio a surpresa. Fui convocado para o jogo com o Uruguai (em novembro de 2007, no Morumbi, 2 a 1 para o Brasil, com dois gols de Luís Fabiano). O Dunga estava em busca de um atacante. Mas não esperava ser titular. Quando vi meu nome entre os titulares na preleção, foi uma alegria muito grande, uma sensação inexplicável.
AE - Como está a vida em Sevilha, o que faz nas folgas?
Luís Fabiano - Moro com minha mulher e minhas duas filhas. Já conheço tudo na cidade, mas vamos a restaurantes, passeamos no centro... Às vezes, vamos a praias em Portugal. No ano passado, abriu um mercado brasileiro, que tem Guaraná, picanha, arroz, feijão, para matar a saudade do Brasil. Tive a felicidade, também, de conhecer uma pessoa que tem uma fazenda grande, com dois lagos. Vou muitas vezes até lá para pescar com esse amigo.
AE - Como é disputar um campeonato em que há dois times tão superiores aos outros (Real Madrid e Barcelona)?
Luís Fabiano - Por um lado é bom: os adversários jogam sem pressão. Por outro é ruim, porque jogador quer sempre disputar títulos. Com esses dois times, é muito difícil pensar em título. Mas o Sevilla se firmou nos últimos anos como a terceira força na Espanha e pode surpreender.
AE - Ficou frustrado por não ter ido para o Milan?
Luís Fabiano - Não. Estou feliz no Sevilla e tenho mais um ano e meio de contrato. Depois gostaria de ir a outro clube da Europa ou, quem sabe, voltar ao Brasil.
AE - E se surgir uma proposta milionária do futebol árabe?
Luís Fabiano - Entre o futebol árabe e o Brasil, prefiro o Brasil, mesmo ganhando menos. A não ser que os árabes ofereçam um poço de petróleo.


