São Paulo - Foi com muito sofrimento, mas a Espanha enfim conquistou o seu primeiro título da Copa do Mundo neste domingo. Na final disputada no estádio Soccer City, em Johannesburgo, os espanhóis só conseguiram vencer a Holanda por 1 a 0 no segundo tempo da prorrogação, com um gol salvador do meia Iniesta, que marcou já nos minutos finais do tempo extra.
Para levar a taça em sua primeira final de Copa, a Espanha teve que superar o jogo violento que marcou a grande decisão na África do Sul, em grande parte praticado pelos holandeses. A decisão ficará marcada como uma das mais violentas da história dos Mundiais. Além das 37 faltas, foram 14 cartões amarelos, sendo nove para a Holanda, e um vermelho.
Com o título espanhol, a Holanda amarga a sua terceira derrota em finais de Copas e a segunda na prorrogação - já havia perdido as decisões de 1974 e 1978, sendo a última no tempo extra. Foi a quarta decisão do Mundial decidida na prorrogação.
Toque de bola
A grande final da Copa começou como já era de se esperar, com a Espanha impondo o seu bom toque de bola. Assim, a Holanda se manteve acuada e com dificuldades para sair da defesa. Vendo os espanhóis com mais posse de bola, a Holanda começou a se precipitar na marcação e fez faltas duras. Em pouco mais de dez minutos, o árbitro inglês Howard Webb distribuiu cinco cartões amarelos, mas não seria injusto se tivesse dado, no mínimo, dois vermelhos. De Jong e Van Bommel foram os mais violentos, mas Van Persie, Sergio Ramos e Puyol também foram amarelados, estes dois últimos pela Espanha.
O momento violento passou e as equipes voltaram a buscar o gol. O jogo, porém, seguia truncado. Apesar do maior equilíbrio, a Espanha seguia tendo mais atitude.
As seleções voltaram sem modificações para o segundo tempo. O panorama do jogo também seguiu parecido. A Holanda recebeu mais dois amarelos antes de ter a oportunidade mais clara da decisão até então. Sneijder fez passe enfiado para Robben e o atacante ficou cara a cara com Casillas, que evitou o gol ao desviar com os pés o chute do holandês.
Aproveitando a falha de Heitinga, que não conseguiu cortar o cruzamento rasteiro, Villa tentou a finalização, mas o holandês se recuperou e impediu o gol. Já aos 31, Sergio Ramos teve nova chance em cabeçada. Em mais um escanteio, ele apareceu livre e testou para fora.
Até o fim do tempo regulamentar, Robben teve outra chance de dar a vitória para a Holanda. Ele ganhou na corrida dos zagueiros Piqué e Puyol, mas parou novamente em Casillas, que saiu nos pés do atacante.
O tempo extra começou completamente diferente. Em um confronto aberto, Fabregas - que tinha entrado no lugar de Xabi Alonso - e Navas não aproveitaram as oportunidades claras que tiveram.
O segundo tempo da prorrogação não teve muito além do gol salvador de Iniesta, que saiu já quando a Holanda estava com um a menos, após a expulsão de Heitinga. Aos 11 minutos, Fabregas achou Iniesta livre na esquerda da área, o meia recebeu e bateu firme cruzado, sem chances para Stekelenburg. Os holandeses ainda reclamaram muito de impedimento, mas a jogada foi legal.
Orgulhoso
Famoso por seu estilo discreto e tranquilo, o técnico espanhol Vicente del Bosque não se alterou nem com a conquista do inédito título mundial. Com exceção de alguns abraços nos companheiros de comissão técnica e nos jogadores, ele não esboçou muitas emoções na festa da Espanha. Mesmo assim, garantiu estar feliz e orgulhoso com o feito obtido neste domingo. ''Estamos felizes por todos os jogadores. Esse é um êxito de todos, não vamos individualizar os méritos. É um título justo'', afirmou.





EM JOHANNESBURGO

Holanda 0

Stekelenburg; Van der Wiel, Heitinga, Mathijsen e Van Bronckhorst (Braafheid); De Jong (Van der Vaart), Van Bommel e Sneijder; Robben, Van Persie e Kuyt (Elia). Técnico: Bert van Marwijk

Espanha 1

Casillas; Sergio Ramos, Piqué, Puyol e Capdevila; Busquets, Xabi Alonso (Fabregas), Xavi e Iniesta; Pedro (Jesus Navas) e David Villa (Torres). Técnico: Vicente del Bosque

Árbitro: Howard Webb (Inglaterra)
Estádio: Soccer City
Gol: Iniesta, aos 11 minutos do 2º tempo da prorrogação
Cartões amarelos: Mathijsen, Van der Wiel, Robben, Van Bronckhorst, De Jong, Van Bommel, Van Persie, Xavi, Iniesta, Capdevilla, Sergio Ramos e Puyol
Cartão vermelho: Heitinga
Público: 84.490 espectadores

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