Vitória vira festa na Higienópolis
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quarta-feira, 26 de junho de 2002
Phoenix Finardi<BR>Reportagem local 
Manhã de quarta-feira e o brasileiro se prepara: camisetas amarelas, cornetas, apitos, bandeirinhas. As torcidas se reúnem nos locais de sempre: empresas, lojas, bares e até escolas. O trabalho e o estudo sofrerão um atraso de 90 minutos tempo para a seleção brasileira vencer a Turquia na semifinal da Copa do Mundo.
Quem vai trabalhar logo depois do jogo, ou durante, tenta unir o útil ao agradável. A vendedora de consórcio Neusa Félix diz que futebol tem tudo a ver com vendas. É o mesmo stress. Para driblar a ansiedade ela caminha pelo salão da empresa enquanto o resto dos colegas assiste o jogo num telão.
Tem sido assim durante toda a Copa na hora do jogo do Brasil os funcionários vão para uma garagem nos fundos da empresa e empurram a seleção com gritos, palmas e buzinas. Depois que o jogo termina voltamos ao trabalho e se o Brasil ganhar trabalhamos ainda melhor, garante Rodolfo Montosa, diretor superintendente da empresa.
Os irmãos Luis Carlos Robleda e Lucimeire Stutz acharam uma maneira ideal de unir trabalho e futebol. Donos de uma confeitaria no centro da cidade, eles reúnem os amigos nos jogos do Brasil e comemoram cada vitória com a especialidade da família: doces. No centro da mesa, pesando 8 quilos, um bolo que é uma bandeira do Brasil: Desta vez o recheio é especial; creme alemão com nozes conta Robleda, dando risada.
O grupo de amigos frequenta a mesma igreja Batista. Uma das torcedoras completa: Esse recheio é uma profecia para o próximo jogo. Entre pães e bolachas, eles arriscam palpites otimistas: 3 a 1, 2 a 0 e até 4 a 2, que acabam não se confirmando. Não importa, o que vale é a vitória da seleção.
Já é fim de Copa e os torcedores vão entrando cada vez mais num clima de festa e comemoração. Alunos, professores e funcionários da Unifil e do Colégio Londrinense também cortaram um bolo para celebrar a vitória do Brasil contra a Turquia. Feliz jogo do Brasil desejava Maria do Socorro Tavares, coordenadora da zeladoria, enquanto distribuía pedaços para a fila de torcedores durante o intervalo. Dentro do Teatro Filadélfia, muita gritaria e pipoca. À medida que o segundo tempo avançava, os gritos se tornaram mais estridentes. Apesar do frio, muita gente suava com o sofrimento de segurar o placar de 1a 0 para o Brasil.
Fim de jogo, mas ainda não dá para encarar o trabalho nem as aulas. Funcionários e alunos se abraçam pulando e gritando. Na frente do Bar Brasil um grupo de estudantes tenta parar os carros na rua; quem não tem bandeira agita a camisa. Todo mundo parece ter marcado encontro no mesmo lugar da Avenida Higienópolis.
Um grupo de alunos de Educação Física da UEL levou uma bandeira gigante para a avenida. Na frente do Pátio San Miguel o trânsito parou e se descobriu a verdadeira finalidade das buzinas. Num instante surgem centenas de torcedores que gritam e pulam em cima dos carros. Ali perto um dos carros toca uma música conhecida: A taça do mundo é nossa.... Um dos torcedores improvisa um megafone de papelão e sai gritando: O Brasil é penta. A festa durou a manhã inteira e já tem data marcada para recomeçar: domingo pela manhã.


