Agência Estado
Embora o técnico Luiz Felipe Scolari ainda dê suas alfinetadas no calendário apertado do futebol brasileiro e reclame dos prejuízos ao seu clube, os atletas palmeirenses deixaram um pouco as queixas de lado. Finalistas em duas competições - Taça Libertadores da América e Campeonato Paulista - e perto de mais uma decisão - Copa do Brasil -, os jogadores do Palmeiras esquecem o trauma da maratona de jogos e intermináveis períodos de concentração e exaltam o bom humor.
‘‘Quando se trabalha em cima de bons resultados e vitórias, a cabeça fica boa e o astral, lá em cima’’, resume Zinho. No momento decisivo, ninguém quer ficar de fora também. O goleiro Marcos, por exemplo, sofreu no primeiro jogo contra o Santos pelas semifinais, quando foi poupado e substituído por Sérgio. ‘‘Fiquei desesperado, queria jogar’’, lembra. Para ele, os jogadores já estão acostumados a jogar sempre.
As poucas folgas ao longo da semana até viraram motivo para piadas. ‘‘Quando somos dispensados depois de um jogo e só voltamos a trabalhar na tarde do dia seguinte, dizemos que tivemos um período de férias’’, conta o goleiro. Ontem, porém, a principal razão das brincadeiras e gargalhadas entre os atletas foi a coreografia do atacante Paulo Nunes, terça-feira, contra o Santos. Ele homenageou a Feiticeira, personagem do Programa H, da TV Bandeirantes.
‘‘Para os próximos jogos, já preparei novas comemorações’’, garante o jogador. Se vencer a Libertadores, ele promete levar até Scolari para participar da festa, dançando rock n’roll. O véu da Feiticeira foi preparado no vestiário, com malha de um calção e a colaboração do volante Galeano e do roupeiro Joãozinho. Joana Prado, a Feiticeira, gostou da homenagem e cobrou um rebolado do atleta. ‘‘Rebolar não posso; passaria vergonha’’, diz o craque.
Paulo Nunes achava que seria poupado contra o Santos por Scolari. Os companheiros de time acreditavam que o supersticioso treinador mandaria o ‘‘talism㒒 Paulo Nunes a campo. ‘‘Eles me disseram que, se eu jogasse e marcasse o gol, teria de fazer a coreografia’’, conta. O gol, aos 38 minutos do segundo tempo, foi o da virada por 2 a 1, que garantiu a vaga na decisão do Paulista.
Scolari ainda não confirmou quem vai escalar amanhã, contra o Botafogo, no Maracanã, pela semifinal da Copa do Brasil. Depois do empate por 1 a 1 no Palestra Itália, o Palmeiras depende de uma vitória simples ou um empate por dois ou mais gols para ir às finais. Quem não enfrentou o Santos, terça-feira, deve jogar, como Júnior Baiano, Rogério e Alex.
O volante César Sampaio, com uma contusão e dores na coxa esquerda, está fora do jogo. Scolari deixou a Academia mais cedo ontem à tarde. O motivo foi uma reunião com o presidente da Parmalat para a América Latina, Gianni Grisendi, e a diretora de Marketing do patrocinador, Vânia Machado.
Árbitro definido - O árbitro paraguaio Ubaldo Aquino vai dirigir a partida Palmeiras x Deportivo Cali, quarta-feira, no Parque Antártica, pela decisão da Taça Libertadores. Aquino já apitou o jogo no qual o Palmeiras perdeu por 1 a 0 para o River, em Buenos Aires, pelas semifinais da Libertadores, e o amistoso Brasil 3 x Holanda 1, anteontem, em Goiânia, quando expulsou cinco jogadores e foi muito criticado tanto por brasileiros quanto por holandeses.


FICHA TÉCNICA
Palmeiras 2
Marcos; Arce, Cléber, Agnaldo e Rubens Júnior (Júnior); Galeano (Zinho), César Sampaio, Jackson e Edmílson; Euller (Paulo Nunes) e Oseas. Técnico: Luiz Felipe Scolari
Santos 1
Zetti; Anderson, Argel (Andrei), Jean e Gustavo; Claudiomiro, Narciso, Jorginho (Rodrigo) e Paulo Rink (Marcos Basílio); Alessandro e Viola. Técnico: Émerson Leão
Árbitro: Sálvio Spínola
Estádio: Morumbi, em São Paulo
Renda e público: não divulgados
Gols: Viola aos 30 do 1º; Oseas aos 35 e Paulo Nunes aos 38 do 2º

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