Vitória em Araras põe fim a inferno astral no Londrina
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quinta-feira, 13 de agosto de 1998
Nelson Cilo 
Em apenas uma semana, o Londrina trocou o inferno astral provocado pela derrota na estréia contra o Remo pela sensação de alívio e de esperança na vaga à próxima fase da Série B do Brasileiro. Para a maioria dos jogadores, a vitória sobre o União São João, anteontem à noite, fora de casa, significou muito mais que os três pontos e a vice-liderança do Grupo A: foi o início da redenção de um time humilhado na rodada de abertura do campeonato.
Acima de tudo, o 1 a 0 em Araras serviu como um pretexto para o desabafo do técnico Varlei de Carvalho e de alguns jogadores que sentiram as críticas após o vexame da estréia (0 a 3) em pleno Estádio do Café. Confesso que eu estava engasgado, disse Mauro, autor do gol contra o União São João. As pressões abalaram o grupo, mas provamos que somos homens de caráter e pais de família honrados, acrescentou o centroavante.
O gol foi uma espécie de momento sublime que Mauro esperava para liberar as mágoas que tanto o incomodaram nos últimos dias. Ao concluir de cabeça um cruzamento de Marquinhos Capixaba, Mauro correu para comemorar de braços levantados para os céus. Naquele instante, eu me lembrei de Deus, que me dá uma tremenda força e sempre me ajuda nas horas difíceis.
Mauro atribuiu os méritos do gol ao ala Marquinhos Capixaba, que investiu pela direita e executou o levantamento - perfeito, segundo ele - de curva na área. A gente estava num sufoco incrível, conta Mauro. Quando vi que o Marquinhos tocaria pelo pelo alto, senti que a bola seria minha. Só esperei pra conferir. Deu certo.
Capixaba elogiou principalmente o senso de oportunismo de Mauro. Diria que ele marcou um gol de muita coragem, afirmou. O lateral entende que o Londrina apresentou um ingrediente fundamental: capacidade de superação. Ainda estamos fisicamente mal, mas tivemos garra e determinação, garante o ala direito do Londrina. A expulsão do Valder nos deixou preocupados. Aí falei pro China: vamos nos desdobrar e valorizar a troca de passes.
Marquinhos Capixaba reforçou os votos de boa parte da imprensa que cobriu a partida no Estádio Hermínio Ometto e que elegeu o ala esquerdo Arnaldo o melhor em campo. É menino de muito futuro no futebol, disse o ala. Meia armador, Arnaldo já havia atuado improvisado como ala no empate (1 a 1) contra o Atlético (GO), domingo, em Goiânia. Agradou nos dois jogos e está pronto para assumir definitivamente a nova missão no esquema de Varlei: a de atacar e forçar os cruzamentos pela esquerda.
Se o professor (Varlei) quiser, jogo até de goleiro. Quero ajudar o Londrina. Não importa a posição, disse o jogador ainda no vestiário em Araras. Isso me estimula a crescer ainda mais na minha carreira, declarou, emocionado, enquanto recebia abraços dos dirigentes e dos companheiros.
Alívio - O sentimento de alívio dominava também o atacante Alaor, que precisou de poucos dias para apagar o rótulo de vilão de alguns torcedores que o vaiaram na estréia. Eles ainda vão me aplaudir, prometeu na semana passada. O gol marcado em Goiânia foi o primeiro passo da vingança. Em Araras, Alaor cumpriu múltiplas funções - atacando ou recuando para ajudar o meio-de-campo e a defesa. Não parou em campo e só cansou nos instantes finais. Mostrei que tenho dignidade, mas não quero tocar no que aconteceu recentemente. Vamos nos preocupar com a nossa campanha. Até agora, não vencemos nada. Temos muita coisa pela frente, alerta.
Valder contestou o rigor do árbitro Wagner Terdelli, que o expulsou no primeiro tempo. O juiz não usava o mesmo critério pra gente e pra eles. Cometi uma falta normal, nem havia recebido o cartão amarelo, fui punido injustamente.


