Fim de jogo. No gramado, o técnico Varlei de Carvalho, os jogadores e os dirigentes do Londrina se confraternizam pelos 3 a 0 contra o Náutico. Nos últimos degraus do Estádio do Café, muitas bandeiras balançam, retratam o clima e simbolizam a fidelidade daqueles torcedores que sempre vão lá para vaiar ou aplaudir. Às vezes, amam. Às vezes, odeiam. Não importa. Como todas as torcidas do mundo, a do Londrina também vaia e aplaude. Sofre mais. Isso nem se discute. Só não perde a velha e intensa paixão. Ela ainda não se acostumou a ver o time a morrer e a renascer da noite para o dia.
Nem tentem compreender as inexplicáveis dores e as singelas alegrias do futebol. Na tarde de sábado, os torcedores testemunharam - quem sabe - a redenção definitiva. É claro que o Londrina - humilhado pelo Remo na estréia - já havia empatado um jogo e ganho outro fora de casa. Estava reabilitado. No entanto, a mais recente vitória serviu para selar a grande virada.
Nos vestiários, o clima era de solidariedade. Varlei não se cansava de dar entrevistas. ‘‘A vitória pertence aos jogadores e aos torcedores, que tanto nos estimularam. Se não fossem meus atletas, eu não seria ninguém’’, elogiou. Varlei enalteceu o empenho de cada. Do goleiro Geraldo ao atacante Alaor.
O treinador falou superficialmente das armadilhas que encurralaram o Náutico. Preferiu destacar a garra e a capacidade de superação da equipe. A expressão de alívio rosto de Varlei não era a mesma que se via no intervalo. Transtornado e indiferente ao cerco do policiamento, ele correu na direção do árbitro para protestar contra um pênalti não assinalado. O zagueiro Ricardo, do Náutico, deu um soco na bola dentro da área. ‘‘Eu vi. Aconteceu na minha frente’’, jura Varlei.
O exagerado assédio nos vestiários denotava a presença festiva dos principais personagens do espetáculo. ‘‘Marquei o gol ‘Parabéns, Estádio do Café’, comentou Alaor, ao se referir ao incentivo dos torcedores.
Se Alaor mostrou uma atuação impecável, coube a Mauro - que recebeu os prêmios como o melhor em campo - roubar a cena e comandar o show. Além do passe no primeiro gol de Alaor, Mauro, persistente na área, marcou mais dois que fecharam o placar. ‘‘No primeiro, vi que o Alaor entrava e só toquei. No segundo, o Arnaldinho me deixou na cara do goleiro. No terceiro, meu Deus, que levantamento do Edson Vieira na minha cabeça... Vamos ganhar o título. Seremos campeões.’’
Sem tanta euforia, os zagueiros Ivanildo e Carlos Alberto mandaram um recado ao grupo: ‘‘A festa é da torcida. Agora, vamos pensar unicamente na Desportiva’’, aconselhou Ivanildo. ‘‘O Náutico é passado. Não podemos tirar os pés do chão’’, emendou Carlos Alberto, um dos maiores destaques dos 3 a 0 de sábado.
Os jogadores folgaram ontem e se reapresentam às 15h30 de hoje no VGD. Varlei terá uma semana para preparar o time que enfrenta a Desportiva, domingo, no Café.

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