Vitória da vida
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Rafael Souza 
Cruzar a linha de chegada no primeiro lugar não era o principal objetivo da dona Dinorá Rosa de Jesus na Prova Pedestre Cidade de Londrina, realizada ontem pela manhã. Terminar os 4 quilômetros do percurso significava muito mais. Para ela, era celebração de mais um feito para quem quase perdeu para os problemas de saúde e, principalmente, para o cigarro.
Para a pensionista de 60 anos, a vida começou aos 30, como ela mesmo gosta de contar. "Foi quando eu comecei a correr. Comecei a ter alguns problemas de saúde e tinha que fazer alguma coisa. Escolhi a corrida e sou muito feliz. Todos os dias, aqui mesmo no Lago, eu corro 4 quilômetros", conta ela, com um largo sorriso no rosto.
Ontem, pela quarta vez, lá estava a dona Dinorá. Firme e forte para mais um "passeio" na 12ª edição da Prova Pedestre, tradicional evento que integra o calendário de comemorações do 78° aniversário de Londrina, lembrado hoje. Passeio porque os 4 quilômetros da prova foram só um aquecimento para a "corredora-dançarina". "Ainda sobrou energia para pegar um 'forrózinho' mais tarde", brinca.
Há pouco mais de um ano, o esporte ainda ajudou a dona Dinorá a se livrar de um outro inimigo muito perigoso: o cigarro. "A corrida mudou minha vida e só me ajudou. Graças a ela, tenho pique para fazer tudo que tenho vontade. Comigo não tem tristeza", afirma ela, que ainda faz hidroginástica duas vezes por semana.
Seo Lourival Bezerra de Moura, 72, é outro que parece ter um pique sem fim. Tudo, claro, por causa da corrida. O "figura", de Porecatu (Norte), é uma verdadeira celebridade do circuito de provas do Paraná. Foi até difícil conseguir um tempinho exclusivo para conversar com o "seo Bezerra", como ele é conhecido pelos amigos. "Isso tudo é muito gostoso. E foi graças à corrida. Esse carinho dos amigos não tem preço", diz ele.
Cheio de gás, ele completou a prova dos 10 quilômetros sem problemas. "Dava até para correr a dos 15 (Km)", garantiu. Mas basta uns minutinhos de conversa para ver que a contagem regressiva dele era mesmo para a "resenha" depois da prova. "É muito gostoso, você encontra os amigos, conversa", comenta o corredor, que já participou de sete edições da mais tradicional corrida de rua do Brasil, a São Silvestre.
Duro é acompanhar o pique do seo Bezerra, seja na corrida ou na conversa. Que o diga o estudante Micael Menezes Dias, de apenas 16 anos. Também de Porecatu, ele achou que seria fácil correr com o seo Bezerra e sua turma, que ainda tem mais dois jovens corredores da terceira idade. "Ele achou que os velhinhos eram fracos e quase se deu mal", brinca Bezerra. "Teve uma vez que fui parar no hospital. A pressão baixou e eu passei muito mal", relembra o garoto, que já perdeu 20 quilos depois que começou a correr, no início deste ano.
Mas aos poucos, ele foi se acostumando com a "pegada" e ontem realizou um sonho. "Foi minha primeira prova depois de um ano treinando. Estou muito feliz, foi uma realização grande terminar a prova", comemorou o debutante, que correu a prova dos 10 quilômetros.


