Vitória anima a torcida
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quinta-feira, 22 de junho de 2006
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Uma vitória convincente contra uma seleção treinada por um ídolo brasileiro, mas sem tradição no futebol, foi suficiente para animar a torcida em Londrina. O clima logo após o encerramento da partida em que o Brasil derrotou o Japão, do técnico Zico, era de euforia. As críticas contra o time de Carlos Alberto Parreira deram lugar à alegria e aos elogios para a seleção brasileira.
O ponto mais tradicional de comemorações futebolísticas da área central transformou-se num verdadeiro carnaval. A esquina da Avenida Higienópolis com a Rua Espírito Santo foi tomada por torcedores, ainda mais animados por conta de um trio elétrico. Muita festa e dança dominaram o local.
Mas não foi assim desde o início. Como o primeiro gol brasileiro demorou a sair, e o Japão abriu o placar, os torcedores estavam desconfiados, principalmente com o desempenho de Ronaldo. Postura que mudou por completo após os dois gols do atacante, que consolidaram a goleada.
E a festa foi democrática. Teve espaço para todos os tipos de torcedores. O casal de aposentados Rui João, 67 anos, e Maria Aparecida dos Santos, 70, foi ver a festa logo após o apito final. ''Gostei do jogo. Para mim, o Robinho foi o melhor'', opinou Maria. Já Rui cobrou de Parreira a manutenção do time de ontem para a próxima partida. ''Vai ser difícil ele não admitir que os melhores jogaram contra o Japão'', alfinetou.
Um dos mais empolgados era o animador de rodeios João Rodrigo da Silva, 42. Com o rosto pintado com as cores do Brasil, ele não parava de cantar e dançar nem por um minuto. ''Agora o time vai deslanchar. Se jogar assim, dá para ser campeão'', apostou.
No início do jogo, no entanto, o clima era de desconfiança. O principal alvo das críticas foi o atacante Ronaldo. Com o gol japonês, a torcida passou a atacar ainda mais o desempenho dos brasileiros. Mas o empate no final do primeiro tempo e a consolidação da vitória na segunda etapa transformaram o ceticismo em euforia e otimismo.
A criançada também estava animada com a seleção canarinho. Mas só uma coisa poderia fazer com que um grupo de meninos tirasse os olhos da tela da televisão durante o jogo: uma ''pelada'' nas ruas do bairro. ''O Brasil vai ganhar de 3 a 1'', arriscou Mateus Henrique Dias da Silva, 8, que logo esclareceu que a brincadeira nas ruas do Jardim Alto da Boa Vista (Zona Norte) era só durante o intervalo da partida da Copa.
''Preferimos ver o jogo do Brasil e depois jogar bola'', entoaram em coro Tiago dos Santos, 11, e o caçula do grupo, Lucas Dias Ferreira, de apenas 4 anos. Prometendo que, logo depois que o time de Ronaldo deixasse o campo, eles voltariam a praticar o esporte que é a paixão nacional.
Brincadeira facilitada, é claro, com as ruas desertas de toda a cidade. A correria observada nas últimas horas antes do Brasil entrar em campo deram lugar à calmaria até mesmo nas vias mais movimentadas nos dias normais no meio da tarde, enquanto praticamente todo mundo estava ligado no jogo da seleção.


