Santos - De imediato, o volante Arouca deu pouca importância às ofensas racistas que sofreu de um grupo de torcedores enquanto dava entrevista no campo, após a vitória por 5 a 2 contra o Mogi Mirim, na última quinta-feira, no estádio Romildo Ferreira, em Mogi Mirim (SP). Disse não ter ouvido a palavra macaco e, depois, estava tranquilo, ao lado de Lucas Lima, na coleta de material para o exame antidoping, como contou, nesta sexta, o companheiro de clube.
Após o jogo, já na madrugada desta sexta, divulgou uma nota na qual valorizava as suas origens. "Tenho muito orgulho das minhas origens africanas, o que o sujeito tentou usar para me ofender, dizendo que eu deveria procurar alguma seleção de lá para jogar, dando a entender que um negro igual a mim não serve para defender a seleção brasileira", disse.
Nesta sexta, o jogador divulgou uma nota oficial por meio da sua assessoria e gravou dois vídeos para a Santos TV, protestando contra os insultos dos quais foi vítima. No primeiro, com 39 segundos de duração, o atleta fala dos quase cinco anos de Santos e do orgulho de ser negro. "Esta é minha quinta temporada vestindo a (camisa) cinco do Peixe. Já vivi três títulos paulistas, uma Copa do Brasil, uma Libertadores e uma Recopa. Antes de ser atleta, sou ser humano, pai, marido, cidadão, carioca de origem e santista de coração. Tenho a pele negra, cabelo afro e visto o mesmo manto branco que vestiu o Rei. Carrego o orgulho no peito e sou grato a Deus por tudo isso".
No segundo, mais longo, o jogador lamentou o fato de ter de falar sobre racismo e disse que preferiria comemorar a vitória do time e o golaço que fez - ele anotou o quarto gol com um voleio dentro da área. "Achei que o aquilo aconteceu com Tinga (volante do Cruzeiro insultado no jogo contra o Real Garcilaso, no dia 12 de fevereiro, no Peru), que tem a mesma profissão que a nossa, pudesse mudar a mentalidade de algumas pessoas".
O volante também pediu punição severa para quem tem esse tipo de atitude. "O preconceito é inadmissível. Fiquei triste. Tenho uma filha de três anos e não quero isso para ela no futuro e que ela tenha que passar por esse tipo de pesadelo".

Interdição
A Federação Paulista de Futebol (FPF) interditou ontem o estádio Romildo Vitor Gomes Ferreira, em Mogi Mirim (SP), até a decisão final do processo disciplinar instalado pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) para averiguar os insultos racistas recebidos por Arouca.
Na resolução publicada, o presidente do TJD, Mauro Marcelo de Lima e Silva, alega que o comportamento discriminatório de torcedores do Mogi Mirim "macula de forma indelével a disciplina desportiva e os princípios básicos de civilidade e humanismo". O julgamento será realizado no próximo dia 17.

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