Os visitantes estão sendo mal-agradecidos com seus anfitriões nesta edição do Campeonato Paranaense. Dos 28 jogos que terminaram com um vencedor até agora no Estadual 2009 - sem contar a partida de ontem à noite entre Paranavaí e Coritiba - a metade acabou com o time da casa levando a pior. Foram 14 vitórias para cada lado.
O índice é bem maior em relação a 2008. Das 95 partidas disputadas em toda a primeira fase e que terminaram sem empate, foram 69,47% de vitórias dos mandantes - 66 triunfos - contra 30,53% dos visitantes. Levando-se em conta somente as seis primeiras rodadas, o índice de triunfos dos times da casa sobe para 72,22% - 26 contra 10 dos visitantes.
A torcida que mais chorou até agora foi a do Rio Branco. Dos quatro jogos que o time fez no Caranguejão, em três deixou o campo derrotado. Apenas uma vez o Leão da Estradinha conseguiu fazer a alegria do torcedor.
Já o torcedor do Londrina ainda não teve como comemorar junto do time. Dos dois jogos que a equipe fez em casa, não venceu nenhum - um empate e uma derrota. Para piorar, o Tubarão ainda não balançou as redes no Estádio do Café. Até ontem à noite, o Paranavaí era outro time que passava em branco em casa. O Coritiba é o terceiro que não deu motivos para comemoração dos torcedores, já que empatou em 0 a 0 com o Iraty e com o Atlético no Couto Pereira.
Por outro lado, o Londrina é o visitante mais cruel. Dos quatro jogos em que foi à casa dos rivais, por três vezes o campeão da Copa Paraná desrespeitou os anfitriões: 2 a 0 no Paranavaí, 2 a 1 no Paraná e 2 a 1 no Foz do Iguaçu.
O time da fronteira, por sinal, é o visitante mais bonzinho, já que perdeu os dois jogos disputados longe da terra das Cataratas. Paranavaí, Nacional, Iguaçu, Cascavel e Engenheiro Beltrão também não tiraram o pijama. Eles, ao menos, conseguiram arrancar um empate fora de seus domínios.
Os treinadores têm opinião parecida sobre os motivos que levaram os visitantes a se darem bem este ano: as cobranças pelo resultado em casa. ''Os visitantes jogam sem responsabilidade. Os dirigentes e os torcedores estão muito exigentes e, às vezes, isso afeta o psicológico dos jogadores. Se houvesse mais compreensão, o atleta teria um rendimento melhor'', analisou Nei César, comandante do Cianorte.
Gilberto Pereira, do Nacional, segue a linha do colega. ''Esse negócio de melhor fora ou em casa vai muito do momento do jogador. A ansiedade de fazer os gols e a obrigação de ganhar em casa acabam tirando a concentração dos atletas. Muitos não têm assimilado a cobrança e têm cometido erros infantis, como no caso do nosso time'', apontou.
Para o técnico Mauro Madureira, do Londrina, a responsabilidade do mandante aumenta quando precisa vencer. ''Às vezes quando a equipe da casa sofre um gol, ela se descontrola e perde um pouco da postura tática. Isso porque o time tem que se abrir e acaba se expondo aos contra-ataques'', disse. ''A maior dificuldade de jogar em casa é que às vezes a expectativa da vitória é muito grande e se não tiver controle do jogo, pode perder até com certa facilidade, por causa da postura tática do adversário''.

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