Visão sobre o assunto é diferente em outros países
Curitiba - André Gustavo Piragis acredita que o fenômeno das manifestações religiosas no mundo do futebol é localizado: está mais presente nos países muçulmanos e no Brasil. Em outros países sul-americanos, não se vê tanto esse tipo de manifestação quanto no Brasil, explica o professor.
Marcelinho Paraíba já jogou na Alemanha e na Turquia, e relata que nesses países as manifestações da fé ocorrem mais fora de campo. Na Turquia, toda sexta-feira era dia dos jogadores muçulmanos irem à mesquita, explica Marcelinho.
Marcos Aurélio, atacante do Coritiba, atuou no futebol japonês. Lá, eles respeitam a religião do outro. Independente da fé, eles convidam os jogadores a irem ao templo budista. Quem quiser, vai, conta Marcos Aurélio. No Japão eles não têm o costume de orar antes do jogo. Nós chegávamos ao estádio 1h30 antes da partida, e eu ficava ouvindo música antes de entrar em campo. O hábito de ir ao templo era mais uma coisa de pré-temporada, em que os jogadores fazem pedidos para alcançar o objetivo no ano.
André Piragis comenta que, no Brasil, as manifestações de fé em campo se tornaram mais efusivas também em função de uma mudança de perfil da população cristã, que vem procurando mais as igrejas protestantes - os adeptos de algumas divisões das igrejas evangélicas se manifestam de forma mais inflamada. O número de evangélicos cresceu muito no Brasil. Muitos atletas aderiram a essas igrejas e seguem à risca a conduta. Os clubes não veem isso como um problema, pois julgam que, se os jogadores estão envolvidos com a religião, não vão aprontar, diz o professor.
Entretanto, Piragis alerta para o fato de que o clube não pode permitir que a criação de grupos religiosos provoque rachas dentro do elenco. (F.G.)





