VISÃO DO PADDOCK
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de outubro de 2014
LUIS FERNANDO RAMOS<br> [email protected] 
Assim que a prova foi encerrada em bandeira vermelha, desci para o paddock de Suzuka. Os pilotos que saíam do carro passavam desnorteados com as informações que recebiam sobre o acidente.
As pessoas zanzavam sem saber muito o que fazer ou para onde ir.
Quando um olhar encontrava outro olhar amigo, havia apenas um respirar fundo e um arregalar de olhos como um estafante "que coisa ". Não havia por que sorrir.
Na porta do centro médico concentrava-se uma multidão de jornalistas e membros da equipe Marussia, todos com o semblante extremamente carregado no aguardo de notícias. Em frente, o helicóptero era preparado para o transporte do piloto ao hospital. Mas decolou vazio quando estava para estourar o limite de tempo de sua partida, que só pode ocorrer com luz natural de acordo com a lei japonesa.
Felipe Massa falava com os jornalistas e foi firme ao colocar sua consternação com o ocorrido.
- Parece que Jules (Bianchi) bateu em um trator, isso é complicado e até inaceitável. Tinha muita água na pista e era difícil enxergar, estava muito perigoso. O que importa agora é que tudo esteja bem com o Jules, porque é um grande amigo e uma grande pessoa - disse.
Olhei para um aparelho de televisão ao lado e vi os três primeiros colocados no pódio, preocupados mas sorrindo forçado para os torcedores em uma cerimônia que não havia sentido de acontecer. "O show tem que continuar", pensei.
Foi bonito ver os pilotos se recusarem a entrar na roda-viva do "circo " da Fórmula 1. Sinal de que a turma sem voz ativa no paddock é muito mais madura do que os engravatados que tomam decisões.
Encerradas as entrevistas, nomes importantes do paddock, como Massa, Maldonado, o chefe da Ferrari Marco Mattiacci e diretores da Marussia foram imediatamente ao hospital. Se o "show deve continuar ", os atores querem se certificar qual o real estado do colega.
Há muitas lições que a categoria deve aprender deste episódio.
Até lá, Força Jules


