Tive o prazer de conhecer alguns museus de grandes clubes pelo mundo. Todos com muita história, afinal são centenários e vencedores. Entre os que mais me marcaram está o do Futebol Clube do Porto, em Portugal. Com painéis videográficos interessantes e salas cinematográficas, tem ainda estátuas de cera em tamanho real de alguns dos principais nomes que passaram pelo clube. Entre elas, está a do brasileiro Hulk.

Hulk fez carreira sólida fora do Brasil até retornar em 2021 para vestir a camisa do Galo. Não foi, nesse período fora, ídolo para gerações de jogadores ou torcedores por aqui. Mas, poderia. O currículo do atacante, se não foi popular, é daqueles que merecem ser destacados pelo profissionalismo que encarou a carreira e a longevidade mostra isso.

Preferimos os ídolos midiáticos, que além do excepcional futebol são os que ditam tendências para criar uma relação ainda maior entre mídia-torcedor-fã. Os brincos exóticos ou cabelos coloridos ou grifes exclusivas ajudam a perpetuar e fixar imagens num tempo de valores reais contestáveis.

Aos 38 anos, Hulk é o autêntico fominha, que quer jogar sempre e o tempo todo. Treina em casa, treina nas férias e não usa o preposto de craque do time diante dos companheiros. É líder na prática. É líder no exemplo e com números. Hoje, ao lado de Neymar, está entre os 10 maiores artilheiros do mundo ainda em atividade com 439 gols. E tem fome para muito mais.

Com a volta de Neymar ao Brasil, temos visto muitas exaltações ao jogador do Santos, tanto de ex-jogadores, de jogadores em atividade e de torcedores. A falta de um ídolo hoje no futebol brasileiro leva um pouco a essa reverência tardia. Ninguém conseguiu ocupar esse espaço mesmo sem ter sido Neymar uma unanimidade quando se fala de ídolo.

Escolhi Hulk, mas há outros bons exemplos de atletas com trajetórias maravilhosas de ser dignamente reverenciadas e seguidas. Nem todo bom exemplo está na ponta de preferência da mídia e, consequentemente, não “vende” um real perfil de profissionalismo para todo o país. Longevidade não é prova de sucesso, e idolatria deveria ter outros parâmetros para não nos tornarmos reféns de ídolos efêmeros e esporádicos, deixando em segundo plano verdadeiros exemplos.

Julio Oliveira é jornalista e locutor esportivo da TV Globo - A opinião do colunista não representa, necessariamente, a da Folha de Londrina

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