VISÃO DE JOGO: A cruz de Ednaldo
Ednaldo decide porque é o presidente e quer que sua palavra seja a última, como se fosse necessário para marcar uma gestão
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de maio de 2025
Ednaldo decide porque é o presidente e quer que sua palavra seja a última, como se fosse necessário para marcar uma gestão
Julio Oliveira 

Um dos maiores clássicos sobre liderança, “O Monge e o Executivo”, fala sobre a essência do verdadeiro líder. O livro formata os princípios necessários para que se conquiste uma equipe e a comande de forma coletiva e coesa, onde a força está no atendimento às necessidades de colaboradores para que impulsionem um coletivo. Um líder, de fato, não é aquele que usa o poder do cargo ou o ego para solidificar sua posição, mas aquele que transforma um time em vencedor potencializando a força de cada um.
A essência da palavra liderar se perde, exatamente, pelo status equivocado que muitos imprimem quando estão no poder. Líder vem do inglês “Leader”, do germânico “Laithjan”, que significa guiar, chefiar, liderar; com origem no latim “auctoritas”, que remete a ordem, opinião, influência. Liderar não é mandar.
Para liderar é preciso ouvir, ser coerente com a equipe que se trabalha dentro do contexto que está inserido, onde o externo vai influenciar muito mais do que as opiniões próprias, e encontrar o caminho equilibrado para que o meio se sustente e todos sejam contemplados com um sistema forte e produtivo. Não é fácil liderar, porque não é fácil deixar o ego de lado para que o melhor seja feito mesmo quando não é a vontade própria.
Ednaldo Rodrigues chegou à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) num momento difícil e ficou. Ficou e gostou. Gostou e se apoderou. De transitório a definitivo e se reelegendo. E vai continuar. Esqueceu o papel de líder e se tornou um centralizador. Tudo é decidido por ele, ao ponto de dar a palavra final para divulgação de tabelas de campeonatos onde a decisão deveria ser apenas técnica pela complexidade.
Ednaldo decide porque é o presidente e quer que sua palavra seja a última, como se fosse necessário para marcar uma gestão. Decide sobre os técnicos das seleções, sobre mesada para presidentes de federações, a mudança de cor da camisa da seleção principal e decide que vai pensar depois de já ter decidido. Algo tão importante e valioso quanto o futebol brasileiro não pode estar nas mãos de uma pessoa, que vai agora decidir o futuro de Jesus, que pode voltar para Portugal ou desembarcar novamente no Brasil. E nós, súditos deste reinado, poderemos apenas dizer: salve, Jorge.


