O mundo dos sonhos tem desejos e vontades, mas é na realidade que se concretizam os projetos. Não tem jeito. O tempo define tudo. O tempo disponível, o tempo hábil, o tempo necessário ou o tempo restante.

Comecei a coluna falando de vontade e tempo para voltar a discutir um pouco mais os campeonatos regionais. A vontade era de mais tempo para a competição, mas a matemática é que rege o destino dos queridos estaduais. E eles vão acabar no formato que existe hoje. Não é desejo de ninguém, mas naturalmente eles vão mudar.

O que está fazendo os estaduais serem mais curtos a cada ano? A falta de datas. Este ano são 16 e o ano que vem deve ser menor, com apenas 12. Aliás, este número já é a sugestão da CBF para a competição, entendendo como melhor valorização do produto sem seu fim e já antecipando 2026. No ano que vem, com a Copa do Mundo tendo mais clubes e mais 10 dias de competição, serão quatro datas a menos no calendário mundial e nacional.

O projeto para 12 datas sugere ainda que os clubes dividam as férias dos jogadores em duas partes, meio e final do ano. Não é nada novo, mas como os clubes não se movem para ajustar o necessário tudo vai sendo empurrado e transferindo responsabilidades. E a Fifa, que rege o calendário mundial, não está preocupada com problemas individuais.

O dinheiro ainda é o que adia discussões mais sérias. Comissões técnicas reclamam do excesso de jogos, mas dirigentes não. Para eles, quanto mais competições, mais arrecadação. Os maiores arrecadando cada vez mais e os menores morrendo aos poucos. É a velha história: “se tem dinheiro eu quero jogar”.

A Federação Paulista não discute essa questão porque realiza o melhor regional do país em competitividade e premiação. Os quatro grandes recebem R$ 44 milhões cada e há pequenos que arrecadam mais que times de Série B.

Na última semana conversei com o setor de montagem de tabelas de competições da CBF. Com o sorteio da primeira fase da Copa do Brasil começa o ajuste mirabolante para poder encaixar 40 jogos em duas semanas com times ainda em pré-libertadores e copas regionais.

A lógica está diminuindo a possibilidade das vontades e em algum momento isso terá que ser diferente, porque embaixo do tapete não está cabendo mais nada para ser “empurrado”.

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