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Você, torcedor mais jovem, deve ter ouvido do seu pai, como ouvi muito do meu, que Santos e Cruzeiro já tiveram os mais talentosos jogadores deste país. Pelé, Coutinho, Tostão, Dirceu Lopes. A lista é grande. A saudade, maior ainda. Basta olharmos ontem. Esses dois gigantes se enfrentaram e o que menos se viu foi talento. Resultado: 0 a 0 dos mais justos deste razoável Campeonato Brasileiro.
Nem a beleza e qualidade do gramado do novo Mineirão, onde a bola parece correr muito mais e melhor, foi capaz de inspirar os dois times. O Santos, ousado no início, até deu sinal de que poderia ser diferente.
Logo no primeiro lance,Mena fez ótimo cruzamento da esquerda com direção a Henrique, a surpresa do jogo. O centroavante, que havia entrado em apenas uma partida com Claudinei Oliveira, e não era titular desde 26 de maio, conseguiu forte cabeçada, bem defendida por Fábio. Foi um lapso de talento alvinegro.
A partir daí, o interessante do Peixe partia da velocidade de Montillo, mas, sobretudo, do sistema defensivo, vejam só... Da força de Alison para combater o líder do campeonato, que havia vencido todos os jogos no Mineirão. Líder de muita correria, mas pouca organização ofensiva.
Uma explicação pode estar na ausência de Éverton Ribeiro, meia canhoto, que faz bom campeonato, e mata um pouco a nostalgia dos mais velhos, acostumados a ver um camisa 10 ditando o ritmo do jogo.
Isso, no entanto, não aconteceu em nenhum momento da partida. O Santos, coitado, não tem esse jogador. O Cruzeiro não teve ontem. Sobrou a velocidade desordenada de Neilton, de Luan. Sobrou o 0 a 0...
Voltando aos pais, afinal o dia era deles, os cruzeirenses que foram ao Mineirão devem ter se arrependido ao ver o time tão abaixo. Já os santistas podem comemorar a evolução alcançada após o vexame contra o Barcelona. Certo é que, meu pai, que hoje mora no céu, como o seu, via futebol melhor. Bem melhor...


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