VISÃO DE jOGO - O VAR é humano
O auxílio de vídeo criou a “possibilidade” de contestação da arbitragem de campo, que vive mais insegura
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de outubro de 2024
O auxílio de vídeo criou a “possibilidade” de contestação da arbitragem de campo, que vive mais insegura
Por Julio Oliveira 

A arbitragem de vídeo ainda continua sem padrão. O que era para simplificar e auxiliar o árbitro de campo evitando erros claros, não evolui no Brasil. As decisões seguem gerando uma falta de uniformidade, que compromete o futebol. Há diferenças, em várias partes do mundo, de interferência. Mas, por aqui, o sistema de vídeo interpreta e não decreta.
E não é por falta de capacidade técnica de árbitros e assistentes, mas por nossa cultura de ver e viver o futebol. Há uma necessidade de vencer a qualquer custo, que não contribui para o crescimento do sistema. Árbitros vivem tanto sob pressão que, até com o vídeo sendo claro para interpretação, perdem a confiança do que é correto ou não.
O olho humano alimenta o cérebro, que toma as decisões. Se há pouco tempo para uma escolha, o olhar é mais clínico, rápido e preciso. Para respostas não urgentes, esse olhar vacila. O árbitro de campo quando passou a ter ajuda do VAR para decisões perdeu tempo de reação. Não é mais o mesmo. Seu olhar para cada lance ficou hesitante. E não é só por ter o auxílio do VAR, é comum vermos árbitros demorando muito mais para aplicar faltas ou apitar em atraso.
O auxílio de vídeo criou a “possibilidade” de contestação da arbitragem de campo, que vive mais insegura, mesmo em lances que não serão revistos em monitores de cabine. É como se ele sempre estivesse na dúvida do “estou certo ou não” neste lance. Em todo o tempo de jogo a arbitragem se sente mais vigiada e o olhar mais indeciso.
A máquina não cria e nem aumenta, apenas reproduz. Codificar os momentos exibidos é competência daquele que interpreta e busca uma solução coerente. A segurança do que se faz auxilia nas decisões, aumenta acertos e minimiza equívocos. O VAR chegou ao futebol e não sairá mais, mas nunca será uma unanimidade porque terá sempre o controle humano, porque o futebol jamais deixará de ser interpretativo e, principalmente, passional.
Julio Oliveira é jornalista e locutor esportivo da TV Globo - A opinião do colunista não reflete, necessariamente, a da Folha de Londrina


