Visão de Jogo - O suplício de Neymar
O gênio precisa de craques a seu lado, ou será apenas um gênio na memória do futebol
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de julho de 2025
O gênio precisa de craques a seu lado, ou será apenas um gênio na memória do futebol
Por Julio Oliveira 

Depois do contrato renovado com o Santos até o final do ano, o objetivo de Neymar é reconquistar espaço na Seleção Brasileira. As últimas temporadas do atacante, com menos de 40 jogos desde a última Copa do Mundo, deixam dúvidas se ainda é possível. Ele quer, mas Ancelotti precisa ser convencido.
Neste processo, até junho do ano que vem está o desempenho técnico do menino da vila. Talento não se discute e não se perde, mas oscila. Neymar é considerado um gênio por gerações mais novas e ainda tem um magnetismo que surpreende, mas ainda não é o suficiente para encantar também a torcida brasileira para gerar um clamor e sua volta à Seleção.
Neymar precisa de duas situações para estar nos Estados Unidos em 2026: condição física e um time que o potencialize para recuperar seu nível técnico. A primeira só depende dele: focar no objetivo de ser um atleta de verdade para atingir o máximo de seu 100%, que já não será o mesmo de anos atrás, devido a idade e lesões.
Já a segunda é mais complexa. A relação time-jogador se torna uma co-potencialização quando ambos têm um equilíbrio. Um time de craques pode fazer crescer o futebol de um bom jogador. E já vimos muito isso. E também ao contrário, quando um gênio pode fazer crescer o futebol de bons jogadores. Mas é preciso uma proximidade de ambos os lados para haver este equilíbrio.
No Santos de hoje, as distâncias estão muito grandes para ajudar Neymar. Não tem como Zé Rafael, Guilherme ou Deivid Washington ajudarem o menino Ney. A velocidade com que pensa e faz a leitura do jogo não é acompanhada pelos companheiros e faz com que ele seja um atleta buscando sempre, sozinho, uma jogada de gênio.
Messi resolveu viver um pouco mais a ser cobrado pelo seu histórico desempenho indo jogar nos Estados Unidos, mesmo assim vem se “cercando” de amigos para poder apresentar um futebol de razoável nível, como Jordi Alba, Luis Suárez e Sergio Busquets.
O gênio precisa de craques a seu lado, ou será apenas um gênio na memória do futebol.
Julio Oliveira é jornalista e locutor esportivo da TV Globo - A opinião do colunista não representa, necessariamente, a da Folha de Londrina


