VISÃO DE JOGO - O calendário que mata
Estamos nos acostumando com finais fracas, sem guardar mais na memória as jogadas incríveis de jogos memoráveis
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de novembro de 2025
Estamos nos acostumando com finais fracas, sem guardar mais na memória as jogadas incríveis de jogos memoráveis
Por Julio Oliveira 

O calendário do futebol para 2026 já está definido. Todas as competições espremidas por conta da Copa do Mundo. Mais jogos em menos tempo. Menos tempo para caber todas as competições, porque ninguém quer eliminar torneio algum. Competir, para cada time, é sinal de receita e dinheiro não se deixa de ganhar.
A FIFA vai interferindo mais nas datas continentais por conta de seus torneios. As Confederações continentais organizam suas competições a partir destas datas e o que sobra cada país promove os seus torneios. A conta para o Brasil fica mais difícil fechar devido aos Estaduais, que não existem no resto do mundo. Mas isso é uma história velha e só nossa.
Mas o calendário apertado no Brasil está matando não só a qualidade como um todo, mas o momento crucial de toda competição: a decisão, a final. O ápice para torcedor é a grande final. A decisão. O dia do troféu. É o momento que empolga, que vale título, que a atenção e audiência dobram, que o país para pelo futebol. E sempre foi assim, mesmo já no histórico dos pontos corridos do Brasileirão.
Mas teremos nestas duas próximas semanas dois campeões sendo conhecidos dos três títulos que ainda restam na temporada. Na hora de decidir o Brasileirão, Palmeiras e Flamengo jogam mal, perdem pontos cruciais, não desempenham futebol de campeão e estão poupando ou perdendo jogadores importantes para a grande final da Libertadores no sábado.
Os times jogam a temporada para chegar nesta época e colher os frutos do investimento técnico-financeiro, alavancar receita e, claro, satisfazer toda uma torcida. Mas os jogadores chegam cansados, os técnicos sem suas principais estrelas e vemos jogos decisivos sendo disputados como se ainda fossem meio de campeonato, como Palmeiras empatando em casa com o Vitória ou o Flamengo perdendo para o Fluminense.
É como se a cereja do bolo ficasse cinza e sem sabor. Mas o título, a festa pela conquista, a foto do troféu no meio de muito papel picado vai encobrir tudo. E os jogos fracos, com times mistos, atuações abaixo da crítica vão ficar esquecidos. Estamos nos acostumando com jogos medianos, em finais fracas e só lembrando do resultado, sem guardar mais na memória as jogadas incríveis de grandes finais e jogos memoráveis.
Julio Oliveira é jornalista e locutor esportivo da TV Globo - A opinião do colunista não reflete, necessariamente, a da Folha de Londrina


