Foi nos Jogos Pan-Americanos de 1999 que o Brasil começava uma trajetória de reconhecimento na ginástica rítmica. Em Winnipeg, o ouro no conjunto de dois arcos e três fitas dava ao país a primeira medalha de ouro nos jogos continentais.

O reconhecimento da crescente evolução técnica já era visível, mas faltava uma posição de destaque no pódio para corroborar o nosso talento. Neste período a Seleção Brasileira de GR treinava em Londrina, com atletas e técnica londrinenses.

A Unopar sediava o projeto do maior desenvolvimento do esporte no país e, por isso, abrigava a seleção. A técnica, Bárbara Laffranchi, deu um nível diferente à GR que ganhou mais atenção com os resultados.

O ouro em Winnipeg gerou também uma nova fase para a modalidade. Naquele conjunto estava Camila Ferezin, a atual comandante da Seleção Brasileira. A londrinense deixou de ser atleta, passou a ser auxiliar de Laffranchi e se tornou técnica da mesma seleção que a consagrou. As conquistas só aumentaram. A mais recente foi o ouro inédito numa etapa de Copa do Mundo, em Milão.

Leia mais:

O Mundial, que começa nesta quarta-feira no Rio de Janeiro, acontece pela primeira vez na América do Sul e pode consagrar definitivamente o conjunto brasileiro como um dos principais do mundo. Não é mais utopia concorrer diretamente com os europeus. A evolução já tem esse reconhecimento das mais tradicionais escolas da GR, que já enxergam o Brasil como integrante neste seleto grupo de vitoriosos, mas ainda é necessário um pódio em Mundial.

E lá estará uma londrinense, com uma vida toda dedicada ao esporte para fazer história, para celebrar e comemorar uma trajetória vencedora, porque ser vencedor não é só ser campeão, mas poder estar sendo competitivo em altíssimo nível. Será uma semana em que o Brasil vai respirar ginástica rítmica, e Londrina vai torcer por Camila.

Julio Oliveira é jornalista e locutor esportivo da TV Globo - A opinião do leitor não reflete, necessariamente, a da Folha de Londrina

mockup