Com a final da Copa do Brasil, terminou oficialmente o calendário do futebol brasileiro em 2025. Um ano longo, de ajustes, procurando solucionar falhas para ser menos traumático num futuro próximo. E o que mais empolgou não foi um Brasileirão monótono e previsível, mas os times brasileiros no Mundial de Clubes, onde foram competitivos.

Muitos jogos, muitos campeonatos e tudo que é muito diminui interesse. Com tanta oferta não dá pra acompanhar todos os torneios. Não dá para pagar para ver todas as competições, agora distribuídas nas mais diferentes plataformas, nem todas gratuitas. Assistir futebol, no Brasil, ficou caro.

E 2026 não será diferente. Os regionais já começam na primeira semana de janeiro em alguns estados. Brasileirão, no final do mês. Copa do Brasil, em fevereiro, com mais times e mais jogos. E ainda Libertadores e Sul-americana iniciando entre fevereiro e março. E tudo “junto e misturado”. De janeiro a dezembro, todos os dias, um campeonato diferente para acompanhar.

E será natural voltar aos mesmos debates: calendário mal feito, jogadores poupados, times mistos, árbitros mal preparados e todos responsabilizando a CBF... O debate precisa mudar. O olhar precisa mudar, ou continuaremos mais uma década sem sair do lugar. Sim, há muita gente ganhando muito dinheiro com esse sistema e se incomoda menos, mas nosso futebol está ficando cada vez mais fraco na mesma proporção.

O Flamengo, time que mais jogou no país no ano, fez 78 jogos. Na Europa, são em torno de 60 partidas para quem atua mais. Isso equivale a uma diferença de 30% para times e atletas brasileiros no mesmo espaço de tempo. Mas essa conta todos já sabem. Falta ação. Qual foi o jogo empolgante entre times brasileiros que você viu na temporada? Vai precisar de tempo para se lembrar de um, mesmo se for buscar as decisões, como a mais recente que foi a Copa do Brasil.

Pesquisas ainda apontam a preferência dos brasileiros pelos times nacionais, mas 21% já torcem também para algum clube de fora, principalmente europeu. O futebol é um produto, que se não for cuidado perde valor. E para qualquer produto, não basta encher a prateleira como garantia de ser consumido. O torcedor antes de tudo é um consumidor, e precisa ser bem tratado para não trocar de produto.

Julio Oliveira é jornalista e locutor esportivo da TV Globo - A opinião do colunista não reflete, necessariamente, a da Folha de Londrina

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