VISÃO DE JOGO - Mais dos mesmos
Os técnicos brasileiros achavam que quando isso começasse a acontecer os estrangeiros não aceitariam essa gangorra. Não foi assim
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segunda-feira, 29 de setembro de 2025
Os técnicos brasileiros achavam que quando isso começasse a acontecer os estrangeiros não aceitariam essa gangorra. Não foi assim
Julio Oliveira 

O troca-troca de técnicos no futebol brasileiro é histórico. Os mesmos nomes se perpetuaram apenas trocando de times com poucas revelações. A chegada dos estrangeiros, que passaram a dominar a preferência dos times da Série A, tem provocado mudanças estruturais nessa cadeia. E alguns com longevidade em suas passagens, como Juan Pablo Vojvoda no Fortaleza e Abel Ferreira no Palmeiras.
Ainda não mudamos a cultura de demitir técnicos diante de fases ruins ou derrotas desastrosas. Só em 2025 foram 18 até o início da última rodada. Mas agora essa ciranda não está só entre os brasileiros. Vojvoda foi do Fortaleza para o Santos; Ramón Díaz, do Corinthians para o Internacional; Zubeldía, do São Paulo para o Fluminense; Renato Paiva, do Botafogo para o Fortaleza e demitido novamente. São quatro nomes estrangeiros que conseguiram se reempregar na mesma temporada.
Se os profissionais que vinham de fora, principalmente depois do efeito Jorge Jesus em 2019, traziam a necessidade de ser respeitados de um jeito diferente quanto a tempo de trabalho, isso já acabou. Jorge Sampaoli volta a dirigir o Galo pela segunda vez e neste intervalo comandou o Flamengo. Não há mudança de cultura quanto a planejamento e os técnicos que aceitam o mercado brasileiro já entenderam o processo. O que é mais preocupante é que os técnicos brasileiros achavam que quando isso começasse a acontecer os estrangeiros não aceitariam essa gangorra. Não foi assim.
Há um bom tempo não mantemos as revelações por aqui, que saem e perdem identidade levando também a marca do jogador brasileiro. Agora, os profissionais que estão sendo formados dificilmente vão dirigir os grandes clubes do país. Somando aos jogadores sul-americanos que também invadiram o país, o que será do futebol brasileiro daqui a dez anos? Que identidade teremos? Que estilo teremos? A Itália, nos anos 1980 e 1990, abriu o país para atletas do mundo todo. Era bonito ver os maiores jogadores do planeta atuando por lá. E agora? A Azzurra ficou fora dos últimos dois mundiais e em 2014 foi eliminada na fase de grupos.
Não há mágica e a lógica chegará com o tempo, como a colheita com o que se planta.
Julio Oliveira é jornalista e locutor esportivo da TV Globo - A opinião do colunista não reflete, necessariamente, a da Folha de Londrina


