VISÃO DE JOGO - Lições do Brasileirão
O campeonato sobrevive porque temos a cultura do time do coração, que passa de geração para geração
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segunda-feira, 08 de dezembro de 2025
O campeonato sobrevive porque temos a cultura do time do coração, que passa de geração para geração
Por Julio Oliveira 

O Campeonato Brasileiro encerrava o calendário do futebol profissional no país, mas este ano está diferente, com a Copa do Brasil ainda a ser finalizada. As férias ainda não começam para todos os jogadores e clubes, embora o planejamento não tenha esse descanso. Para a maioria, pensar 2026 é questão de urgência.
Em 2014, Alexandre Kalil, então presidente do Atlético-MG, disse: “se arrumar o Flamengo, acabou o futebol brasileiro”. Kalil se referia à força que o time tinha e não potencializava, à marca pouco explorada e ao maior patrimônio que um clube pode ter: o torcedor. Eduardo Bandeira de Melo já era o presidente do rubro-negro neste período e trabalhou para uma reformulação que deixou o clube encaminhado para se tornar a maior força no país, dentro e fora de campo.
O exemplo do Flamengo não é para entrar no debate do passado, mas do presente. O resultado de hoje só é construído com anos de planejamento e execução firmes. O Corinthians perdeu o “bonde” depois que Ronaldo deixou o clube. O Palmeiras teve caminho semelhante ao clube carioca e hoje é a segunda força. Já o Botafogo foi a primeira SAF a dar resultados tão rápidos e uma exceção a este novo modelo administrativo-financeiro.
O Brasileirão deste ano não foi bom. Não vamos nos enganar com um lance aqui, outro ali; um jogo aqui, outro ali. Disparidades técnicas muito grandes, problemas com gramados irregulares, jogadores e times transferindo responsabilidades sempre para a arbitragem, e árbitros sofrendo por falta de treinamento e proteção. O Brasileirão sobrevive porque temos a cultura do time do coração, que passa de geração para geração e cultua a rivalidade, mesmo a garotada sabendo mais de Premier League do que do nosso futebol.
São Paulo, Santos, Grêmio, Internacional, Corinthians, Atlético-MG e Vasco fizeram uma temporada vergonhosa, para citar só times tradicionais. Erros sucessivos dentro e fora de campo, decisões amadoras daqueles que se consideram profissionais. Enquanto isso, RB Bragantino e Mirassol vão ocupando espaço. A questão não é só financeira, é cultural. Quem mudar, primeiro, a maneira de gerir futebol vai ser o grande de amanhã, independente da camisa.
Julio Oliveira é jornalista e locutor esportivo da TV Globo - A opinião do colunista não reflete, necessariamente, a da Folha de Londrina


