A cada convocação da Seleção Brasileira de futebol, fico menos esperançoso para a próxima Copa do Mundo. É um desânimo com os nomes que aparecem na lista do “consagrado” Carlo Ancelotti, que nem dá para explicar. Sempre gostei de olhar o copo cheio, mas me esforço para encontrar algo que dê uma luz esperançosa para o futuro próximo.

E não é por duvidar da capacidade de Ancelotti, mas do material que ele tem para trabalhar. Nossa safra tem sido uma lástima nas duas últimas décadas. Jogadores normais e time mediano. Desde 2014 dependemos de Neymar, e agora continuamos esperando sua recuperação física e técnica. É demais. Quem é unanimidade hoje? Vinicius Junior? Abram os olhos, senhores.

Pela primeira vez na história perdemos para o Japão. E se preparem para o sufoco que vai ser contra Senegal e Tunísia. É fato que não existe nenhuma seleção que encante e seja soberana atualmente, mas vemos formações bem mais arrumadas e com jogadores brigando mais por posições que o Brasil, onde a disputa está aberta porque somente três ou quatro têm vaga garantida.

Para alguns, futebol é momento e deve-se convocar os que estão em melhor fase. Para outros, há jogadores de time e jogadores de seleção. Então, vamos lá: para quem acha que o futebol é a atualidade, concorda com Vitor Roque sendo convocado. Para quem entende a diferença de um ótimo jogador de time, mas que não se sustenta em uma seleção, não chamaria o atacante do Palmeiras. E nem Luciano Juba. E nem Fabrício Bruno.

O Brasil não tem tempo para testes, e não tem nomes qualificadamente numerosos para gerar dúvidas para se continuar experimentando. É escolher 14 jogadores e pronto, o que já vai dar uma variação tática, e é isso que teremos. As outras 12 vagas, joga os nomes pra cima e boa sorte.

Não adianta sonhar. Não vai ser o time de jogo bonito ou de jogadas sensacionais. Vai ser um time objetivo, prático, óbvio e vulnerável; de jogadores que querem estar na Seleção e vencer para si, e não para o país.

Julio Oliveira é jornalista e locutor esportivo da TV Globo - A opinião do colunista não representa, necessariamente, a da Folha de Londrina

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