Estamos a 34 dias do início do Mundial de Clubes. Há muita expectativa com a participação brasileira na competição, mas deveria haver mais preocupação do que entusiasmo. Os quatro participantes nacionais vivem momentos instáveis e não dão mostras que se recuperarão até o meio do mês que vem, quando entram em campo.

Embora sejam os times que melhor devem performar nos Estados Unidos, Flamengo e Palmeiras estão longe do desempenho das últimas temporadas em que conquistaram os títulos nacionais e a América, mesmo com elencos muito próximos. Ainda continuam competitivos, mas não com a mesma força. Botafogo e Fluminense podem ser um vexame, escancarando a realidade técnica do futebol brasileiro.

Não vamos entrar no poder de investimento dos times europeus e alguns do Oriente Médio, que têm verdadeiras seleções, mas no ambiente técnico que disputam suas competições. Quando você tem este ambiente de altíssimo nível, todos são obrigados a buscar uma performance equivalente para “sobreviver”, seja pelo meio financeiro ou técnico. Só há times fortes se houver concorrentes fortes.

Na Europa, as grandes ligas brigam por competições fortes. No Brasil, os times brigam por mais dinheiro para si e esquecem da competitividade. Quando admiramos jogos da Premier League ou Bundesliga, não é só pelo número de estrelas que estão em campo, mas pelas propostas de jogo, modelos táticos, técnicos jovens, jogadores jovens, estádios cheios e bom futebol. Aqui, ao final de cada rodada do Brasileirão, o principal debate ocorre em torno dos erros de arbitragem.

Não crescemos no debate, não evoluímos no pensamento e nos afundamos tecnicamente com toda a América. Hoje, exceto Estevão no Palmeiras, os principais jogadores dos grandes times brasileiros ou são estrangeiros ou têm mais de 30 anos. Vendemos as revelações e repatriamos os veteranos e fazemos festa com isso. Temos uma enxurrada de técnicos estrangeiros, que chegam mais capacitados, mas que não têm nossa cultura. Não dá pra separar por item, é preciso colocar tudo junto para entender o momento que vive nosso futebol e o Mundial vai mostrar isso. Voltaremos a esse debate daqui a 60 dias.

Julio Oliveira é jornalista e locutor esportivo da TV Globo - A opinião do leitor não representa, necessariamente, a da Folha de Londrina

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