Acabou mais um Campeonato Brasileiro de futebol. Se em alguns momentos reclamamos que há muito futebol no calendário, quando chega ao fim um torneio que só foi decidido na última rodada já nos sentimos órfãos. E este Brasileirão foi especial. Não adianta torcer o olhar para o nosso futebol, que está fraco, sem emoção ou na mesmice. Não está. A Série A proporcionou boas partidas, principalmente no segundo turno.

Mas, na minha opinião, o principal legado desta edição do Brasileirão foi o planejamento. Não dá mais para o empirismo do tipo “eu sei como se faz” ou “estou no futebol há muitos anos”. Hoje, a somatória dos departamentos gera um conhecimento que não pode ficar em segundo plano em relação a qualquer conhecimento individual. O time que joga fora de campo precisa ser tão eficiente quanto aquele que entra no gramado.

Em tempos de informação rápida e mudanças ainda mais aceleradas, ter um conhecimento macro no “negócio” futebol é preponderante para estar na frente. Flamengo, Palmeiras e, agora, Botafogo entenderam bem este processo. O Fortaleza já faz este caminho também, mas com menor visibilidade porque ainda não teve um título expressivo, embora venha frequentando sempre boas posições nos últimos campeonatos. Outros ainda se arrastam em modelos arcaicos em que o poder está concentrado, como Grêmio, Cruzeiro, Atlético-MG e Athletico-PR.

E títulos não são garantia de modelos vencedores em sequência. O Fluminense conquistou a América no ano passado e neste, sucumbiu. O Galo, sempre forte, insistiu demais numa escolha particular que se revelou malsucedida: o técnico. O Atlhetico, no ano do centenário, iludiu seu torcedor com um “general” que insiste em não aceitar a democracia.

O ano que vem será ainda mais desafiador. Estaduais mais curtos, intervalo no meio do ano e temporada com mais jogos aos clubes que vão ao Mundial. O futebol sempre será emocionante, porque tem o planejamento e a imprevisibilidade. Mas as surpresas sempre serão menores para os que se antecipam e entenderam que o futebol mudou. Menos a emoção.

Julio Oliveira é jornalista e locutor esportivo da TV Globo - A opinião do colunista não reflete, necessariamente, a da Folha de Londrina

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