Sempre fui um defensor dos árbitros de futebol, por razões claras. Cresci dentro de estádios vendo jogos a partir do ângulo do “juiz”. Foi assim que aprendi a gostar, entender, praticar, admirar e estudar. Talvez, pelo lado mais complexo quando se quer discutir futebol e suas lógicas, coerências ou justiça.

Se o mundo mudou nas últimas décadas, o futebol também. Tudo evoluiu com o avanço da informação globalizada, que gera conhecimento e, consequentemente, melhora o desenvolvimento de todo o conjunto envolvido. Técnicos, atletas e tantos outros profissionais são afetados positivamente.

Mas, pergunto: e os árbitros de futebol? O que mudou? O que evoluiu? A discussão pode seguir por vários caminhos, mas é fato que recebeu muito menos atenção do que qualquer outro setor dentro do esporte. E menos apoio. E mais cobrança. E o menor investimento. O VAR é a maior mudança em toda a história, mas já contestado e altamente discutível porque não tem a mesma aplicabilidade em todo o mundo.

E agora chegou uma nova mudança para “fritar” os árbitros: os oito segundos do goleiro para reposição da bola em jogo. Eram seis e não funcionavam. Vai ser cumprida agora? Se é para coibir a “cera” deveria ser dado ao árbitro maior poder para fazer cumprir a regra que já existia, e não criar alternativas para ele fiscalizar o que não vai ser obedecido e ele testado e pressionado por mais tempo dentro de uma partida.

Temos a cultura de que a culpa é sempre do árbitro e nunca dos mimados técnicos e jogadores, mas agora a IFAB (International Football Association Board) ajudou a sentenciar a arbitragem com mais uma pena para ridicularização. O futebol brasileiro, que é da malandragem e da esperteza, vai superar isso facilmente.

Seis ou oito segundos não importa. As mudanças têm que ter o olhar a partir da arbitragem e não só colocar mais peso em cima dela. Se o mundo evoluiu para discutir melhor, não é mais possível um grupo de pessoas, com mãos de ferro, ficar determinando as mudanças para todo o planeta.

Julio Oliveira é jornalista e locutor esportivo da TV Globo - A opinião do colunista não representa, necessariamente, a da Folha de Londrina

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