A manchete deve ter criado uma dúvida quanto à legitimidade da afirmação. Afinal, o futebol de Parque São Jorge está completamente desprotegido de seu santo maior. Mas isso é só em parte, porque o futebol feminino continua extremamente abençoado sem continuar olhando para as adversárias.

Deixando o profissional masculino à parte, com todos os problemas dentro e fora de campo, o feminino mostra a força no resultado de um trabalho com planejamento de vários anos. O time empilha títulos, continua sendo a equipe a ser batida, cedeu seu técnico à Seleção Brasileira e virou modelo de gestão para toda a evolução do futebol feminino no país.

Em 2025, o hepta Brasileiro e o hexa da Libertadores. Não é acaso. E não é só investimento. O Flamengo investiu pesado em 2024 para ter este ano resultados compatíveis. Não teve e agora anuncia no final da temporada que não vai mais manter o mesmo valor para as meninas. No próximo ano vai trabalhar com a base. Sim, o time com melhor receita do futebol brasileiro está desconectando-se do futebol feminino às vésperas de uma Copa do Mundo no país.

Para quem goste ou não, o futebol feminino é uma realidade. Melhorou nível técnico, investimento do mercado, mais atletas na base, mas ainda está concentrado no Sul e Sudeste do país. Enquanto Corinthians, São Paulo, Ferroviária e Palmeiras seguem sendo bons exemplos, o Flamengo coloca uma dúvida na cabeça de muitos dirigentes que ainda torcem o nariz para o futebol feminino. E atrasam a evolução.

Mais times potenciais significa mais necessidade de categorias de base e mais atletas no esporte num futuro próximo, e mais qualidade lá na ponta que é a Seleção.

Dos muitos espaços que a mulher ocupou e vem lutando para ser reconhecida e mais respeitada, o futebol é um deles. E não há mais como ter retrocesso. Não há mais volta. Marta ainda é a maior vencedora de Melhor do Mundo, mas desde 2019 as europeias vêm dominando as indicações e vencendo. E isso impacta em toda uma geração e no segmento.

No masculino já não somos mais os protagonistas, e no feminino ainda somos uma expectativa. Tudo isso, no “país do futebol”.

Julio Oliveira é jornalista e locutor esportivo da TV Globo - A opinião do leitor não reflete, necessariamente, a da Folha de Londrina

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