VISÃO DA SUPERAÇÃO Guilherme Cardoso - Ponto final não poderia ser diferente
O placar marcava 14 a 9 para a Unilever no tie break. Valeskinha então dá um toque na bola, Fofão para o levantamento e procura Natália. A ponteira se apresenta na entrada de rede e ataca com força. Ponto para as cariocas. Fim de jogo.
O ponto decisivo não poderia ter a participação de outras duas jogadoras. O grupo teve méritos. Mas Fofão e Natália mereciam muito mais. Agora, estão marcadas na história da equipe. Sempre que o último lance da decisão for reprisado, elas serão lembradas.
- Procurei por ela. Ela merece, sofreu muito neste ano. Ela voltou a ter segurança na hora certa. Quero que ela lembre dessa final, que veja que é capaz de fazer tudo, que é a melhor jogadora do mundo - afirmou Fofão sobre Natália.
- Ela está com 43 anos. É uma jogadora muito experiente. Nosso grupo é exemplo de superação. Eu, depois de duas cirurgias, e a Fofão aos 43 anos . retribuiu a camisa 12 sobre a companheira.
Realmente, o título para elas veio na superação. Fofão passou os últimos dias (e a temporada) com dores na panturrilha direita. Até escondeu a dor das companheiras para evitar preocupação. Durante o jogo, nem parecia lesionada. E comemorou a conquista como se fosse a primeira. Mas era a quarta taça nacional. A primeira após 11 anos.
Enquanto isso, Natália voltou a assumir o papel principal e anotou 22 pontos. Na temporada passada, não jogou por causa de duas operações na canela esquerda para a retirada de um tumor benigno. Nessa, ainda não tinha brilhado. Guardou tudo para a decisão. Três dias após seu aniversário.
Um grito raivoso e em tom de desabafo após marcar um ponto no terceiro set parece ter despertado a ponteira. A partir daí, ela cresceu, bloqueou, vibrou, deu conselhos e fez o ponto decisivo. Justamente no Ibirapuera, onde tinha conquistado seu único nacional, pelo Sollys, em 2009/2010.
Fofão ainda não decidiu se vai continuar na próxima temporada. Uma pena. Com ela eNatália, a Unilever parece imbatível.






