São Paulo - O tempo passa e não poupa ninguém, nem mesmo um bicampeão olímpico como Robert Scheidt. Disputar uma Olimpíada não é novidade para o velejador - em Londres será sua quinta participação em Jogos Olímpicos, sendo que nas quatro edições anteriores sempre voltou com medalha (ouro em Atlanta, prata em Sydney e ouro em Atenas, sempre na classe Laser; além da prata em Pequim na Star). Porém, mesmo com tanta experiência, sempre existem novos desafios a enfrentar.
Ao lado de Bruno Prada, com quem conquistou a prata na Olimpíada de Pequim, o único bicampeão olímpico brasileiro em atividade está ciente de que nem sempre conhecimento adquirido resolve problemas. ''A gente tem se cuidado nesta fase final para não exagerar (nos treinos) e sempre contando com alguém para ajudar. Não somos mais tão moleques. Eu tenho 39 anos e o Bruno, 40. Temos de cuidar do corpo agora'', admite Scheidt. ''Temos que chegar descansados, mas, ao mesmo tempo, com 100% de capacidade, esse é o nosso grande desafio'', concorda o parceiro.
O bicampeão olímpico conta que, há algum tempo, ele e Prada contrataram um fisioterapeuta para trabalhar com a dupla e recebem outras ajudas externas. ''Tenho feito mais exercícios de flexibilidade e alongamento. Faço uma série que os médicos do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) nos passaram para o aquecimento e, além disso, a preparação física de bicicleta, natação e um pouco de musculação'', revela Scheidt.
Scheidt está consciente de que a competição em Weymouth, local das provas de vela da Olimpíada de Londres, será mais difícil que o usual. Para começar, os atuais campeões olímpicos, os britânicos Iain Percy e Andrew Simpson, vão lutar pelo bicampeonato em casa, mas ainda existem outros desafios.
O velejador brasileiro não acredita, por exemplo, em problemas de arbitragem. ''Mas temos cinco pontos de regata em Weymouth. O ideal nesses casos é que se veleje em um só lugar para você mapear melhor aquela raia. Mas dia a dia eles dizem em que raia você vai correr'', relata Scheidt. Segundo ele, cada local de competição exige um conhecimento particular dos ventos e das correntes. ''Isso, então, beneficia quem conhece muito o lugar.''
Preparação
A dupla brasileira da Star deve participar de mais cinco eventos antes da Olimpíada, marcada para começar no dia 27 de julho. No mês que vem, disputam do Troféu Princesa Sofia, na Espanha. ''Vamos testar um barco italiano, marca Folli. Caso surpreenda positivamente, a gente pode continuar com ele. Caso não, voltamos para o PStar que a gente já conhece'', adianta Scheidt.
Os dois também vão disputar o Mundial de Star, em Hyéres, França, em maio, quando esperam estar bem perto do melhor em termos de preparação. Fazer uma boa competição será fundamental, mas vitória não será prioridade.
''Minha prioridade é conseguir cumprir o planejamento com tranquilidade, os passos todos - chegar à conclusão sobre o material e montar a estratégia. O segundo passo é a maneira como a gente vai velejar na Olimpíada, ou seja, a execução desse trabalho'', diz Scheidt. Depois, diz ele, é estar inspirado para tomar as decisões certas. O resto fica por conta da torcida brasileira, que espera recepcionar, ao fim dos Jogos de Londres, seu primeiro tricampeão olímpico.

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