A Seleção Brasileira de futebol feminino garantiu vaga nas semifinais do torneio olímpico de Sydney ao vencer a da Austrália, na madrugada de ontem no Brasil, por 2 a 1, de virada. O Brasil chegou a seis pontos ganhos no Grupo E. A semifinal será disputada às 3h30 de domingo, dia 24, em Canberra.
Até o momento duas equipes já estão garantidas na disputa: a Alemanha, primeira colocada do Grupo E, e o Brasil, que se classificou em segundo lugar. As outras duas equipes seriam conhecidas nesta madrugada, na última rodada da primeira fase do Grupo F, com os jogos entre Noruega (três pontos) x China (quatro) e Estados Unidos (quatro) x Nigéria (zero).
Como a China teria um jogo mais equilibrado diante da Noruega, era quase certa a classificação dos Estados Unidos, a maior favorita ao título, para ficar com o primeiro lugar do grupo. Desta maneira as americanas iriam enfrentar o Brasil, com a Alemanha pegando China ou Noruega.
A vitória contra as australianas garantiu mais do que uma vaga nas semifinais – a própria existência da modalidade no país, de acordo com as jogadoras. ‘‘A responsabilidade era muito grande. Jogamos pela sobrevivência do futebol feminino. Se perdêssemos esse jogo, ficaríamos desempregadas. Procuramos jogar melhor, mais unidas, porque o futebol é a única coisa que sabemos fazer’’, disse a atacante Kátia Cilene, autora do gol de desempate do Brasil, aos 19 minutos do segundo tempo.
No primeiro tempo, o Brasil procurava o gol, mas não encontrava. De nove chutes, apenas dois chegaram até a goleira. Já as australianas, que arriscaram apenas cinco vezes, saíram na frente com um belo gol de Hughes – para o técnico brasileiro José Duarte, o mais bonito de todo o torneio. ‘‘Acho que nunca tinha acontecido um gol como aquele em um jogo feminino. Foi maravilhoso’’, admitiu o treinador.
A australiana recebeu a bola na entrada da área, deu um chapéu na lateral Rosana, driblou a zagueira Juliana e chutou forte para abrir o placar, aos 34 minutos de jogo. Perdido em campo e com a defesa mal posicionada, o Brasil errava muitos passes e, por pouco, não tomou outro gol ainda no primeiro tempo.
No início do segundo tempo, Zé Duarte colocou a atacante Maycon no lugar de Rosana, arriscando com três jogadoras no ataque. O Brasil melhorou e passou a marcar a saída de bola australiana. Aos 11 minutos, a goleira Wheeler saiu da área e tocou para Starr, que se enrolou com a bola e deixou livre nos pés da meia Raquel. A brasileira teve a visão para encobrir Wheeler e empatar a partida.
Foi o segundo gol de Raquel na competição. Logo após o gol, Zé Duarte colocou Formiga em seu lugar para segurar o placar, que já garantia o Brasil nas semifinais.
Oito minutos depois, novamente em uma bobeada da zaga australiana, Formiga roubou a bola na intermediária e lançou para Kátia. A atacante invadiu a área e tocou de bico na saída da goleira para fazer o gol da vitória brasileira.
A Austrália ainda marcou outro gol, aos 40 minutos, mas a árbitra Vibeke Karlsen marcou impedimento de Salisbury: caída em cima da linha, ela tocou para dentro do gol. Pouco antes da árbitra apitar o final do jogo, um torcedor nu invadiu o gramado.

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