Virada põe futebol feminino na semifinal
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terça-feira, 19 de setembro de 2000
Janaina Tupan Frare Enviada da Folha a Sydney 
A Seleção Brasileira de futebol feminino garantiu vaga nas semifinais do torneio olímpico de Sydney ao vencer a da Austrália, na madrugada de ontem no Brasil, por 2 a 1, de virada. O Brasil chegou a seis pontos ganhos no Grupo E. A semifinal será disputada às 3h30 de domingo, dia 24, em Canberra.
Até o momento duas equipes já estão garantidas na disputa: a Alemanha, primeira colocada do Grupo E, e o Brasil, que se classificou em segundo lugar. As outras duas equipes seriam conhecidas nesta madrugada, na última rodada da primeira fase do Grupo F, com os jogos entre Noruega (três pontos) x China (quatro) e Estados Unidos (quatro) x Nigéria (zero).
Como a China teria um jogo mais equilibrado diante da Noruega, era quase certa a classificação dos Estados Unidos, a maior favorita ao título, para ficar com o primeiro lugar do grupo. Desta maneira as americanas iriam enfrentar o Brasil, com a Alemanha pegando China ou Noruega.
A vitória contra as australianas garantiu mais do que uma vaga nas semifinais a própria existência da modalidade no país, de acordo com as jogadoras. A responsabilidade era muito grande. Jogamos pela sobrevivência do futebol feminino. Se perdêssemos esse jogo, ficaríamos desempregadas. Procuramos jogar melhor, mais unidas, porque o futebol é a única coisa que sabemos fazer, disse a atacante Kátia Cilene, autora do gol de desempate do Brasil, aos 19 minutos do segundo tempo.
No primeiro tempo, o Brasil procurava o gol, mas não encontrava. De nove chutes, apenas dois chegaram até a goleira. Já as australianas, que arriscaram apenas cinco vezes, saíram na frente com um belo gol de Hughes para o técnico brasileiro José Duarte, o mais bonito de todo o torneio. Acho que nunca tinha acontecido um gol como aquele em um jogo feminino. Foi maravilhoso, admitiu o treinador.
A australiana recebeu a bola na entrada da área, deu um chapéu na lateral Rosana, driblou a zagueira Juliana e chutou forte para abrir o placar, aos 34 minutos de jogo. Perdido em campo e com a defesa mal posicionada, o Brasil errava muitos passes e, por pouco, não tomou outro gol ainda no primeiro tempo.
No início do segundo tempo, Zé Duarte colocou a atacante Maycon no lugar de Rosana, arriscando com três jogadoras no ataque. O Brasil melhorou e passou a marcar a saída de bola australiana. Aos 11 minutos, a goleira Wheeler saiu da área e tocou para Starr, que se enrolou com a bola e deixou livre nos pés da meia Raquel. A brasileira teve a visão para encobrir Wheeler e empatar a partida.
Foi o segundo gol de Raquel na competição. Logo após o gol, Zé Duarte colocou Formiga em seu lugar para segurar o placar, que já garantia o Brasil nas semifinais.
Oito minutos depois, novamente em uma bobeada da zaga australiana, Formiga roubou a bola na intermediária e lançou para Kátia. A atacante invadiu a área e tocou de bico na saída da goleira para fazer o gol da vitória brasileira.
A Austrália ainda marcou outro gol, aos 40 minutos, mas a árbitra Vibeke Karlsen marcou impedimento de Salisbury: caída em cima da linha, ela tocou para dentro do gol. Pouco antes da árbitra apitar o final do jogo, um torcedor nu invadiu o gramado.


