São Paulo - A possibilidade de Vasco, Palmeiras, Bahia entre outros times de grande torcida e tradição no Brasileiro caírem para a Segunda Divisão reacende a polêmica sobre a seriedade do futebol no País. O velho recurso de ''virar a mesa'' já é abertamente discutido pela cartolagem. O seu representante mais característico, o boquirroto presidente do Vasco da Gama, Eurico Miranda, diz que time grande não cai. Pelo menos no caso do seu Vasco, exclui completamente essa possibilidade. E toma posição com a mesma naturalidade com que agiu várias outras vezes ao atropelar regulamentos.
O estilo Eurico Miranda faz escola. Alguns cartolas defendem a posição do confrade só que de maneira envergonhada. O diretor de Futebol do Santos, Francisco Lopes, por exemplo, embora diga que é contra virada de mesa agora, acha que deveria haver regra que impedisse as grandes equipes de serem rebaixadas. ''Elas dão vida ao futebol, geram dinheiro e têm grandes torcidas, que não podem ser prejudicadas'', diz.
O ex-técnico da seleção brasileira Zagallo concorda em gênero, número e grau com o cartola santista. ''Já imaginou um campeonato de pontos corridos, com oito meses de duração, como deve ser o de 2003, sem três grandes clubes?'', questiona. O ''Velho Lobo'' disse que não gosta de ficar ''em cima do muro'', mas respondeu com uma pergunta ao falar se era a favor de reviravolta. ''Quantas vezes o regulamento não foi cumprido?''
Jeitinho A virada de mesa é um dos esportes mais praticados pelos cartolas do futebol brasileiro. Sua prática está diretamente ligada ao rebaixamento de um time considerado grande. Sempre que algum deles cai, dá-se um jeito de mudar o regulamento da competição seguinte, sob os mais variados e ''criativos'' argumentos. Assim foi em 1996 quando o Fluminense desceu, no campo, para a Série B. Descobriu-se providencialmente um escândalo na arbitragem e, sob o argumento de que resultados de jogos poderiam estar viciadas, a CBF, pressionada pelo Clube dos 13, manteve o Tricolor carioca na Primeira Divisão.
O Fluminense não soube aproveitar o presente e caiu de novo em 1997. Aí, não teve jeito. Foi parar na Série B em 1998, levando junto outro integrante do Clube dos 13, o Bahia. Só que a queda livre do Flu não havia acabado. O time despencou para a Série C, que disputou em 1999.
Foi campeão e ganhou o direito de disputar a Segundona em 2000. Não precisou. Graças a uma nova confusão (em 1999), esta envolvendo o Botafogo, acabou pulando direto para a Primeira Divisão, maquiada com o nome de Copa João Havelange.

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