Marcos Freitas
De Curitiba
Quando o juiz pergunta Are you ready? e emenda Go! a pancadaria corre solta para delírio dos fãs e de milhares de telespectadores em todo o mundo que acompanham os torneios de luta vale tudo. O nome já diz o que é: vale tudo, mesmo. É pancada de todo jeito, do começo ao fim. E não é brincadeira. A briga é violenta e com dinheiro alto rolando. As premiações chegam a 150 mil dólares.
Muito difundido nos últimos anos, o vale tudo existe desde os anos 60. A diferença é que naquela época os ‘‘torneios de artes marciais’’ reuniam técnicas distintas para se eleger a melhor. Atualmente, o interesse profissional predomina. Os torneios são assistidos por muita gente, do Japão ao Brasil, e movem cifras grandiosas.
Os três principais torneios mundiais são os promovidos pelas maiores federações: Ultimate Fight – espécie de show itinerante que paga prêmios de até 50 mil dólares; Pride – realizado anualmente no Japão e que paga prêmios de até US$ 150 mil; e o Internacional Vale Tudo Championship (IVC) – realizado no Brasil e cujos prêmios chegam a 15 mil reais.
Os torneios de cada federação apresentam regras distintas. Na Ultimate Fight são de três rounds de cinco minutos por um de descanso. Na Pride são dois tempos de 10 minutos. E na IVC são 30 minutos, sem descanso.
Nas lutas da Ultimate Figth e da Pride não vale cabeçada, chute no chão, nem golpe nos órgãos genitais. Já na IVC realmente vale tudo. Não há regras.
Os campeonatos da IVC são considerados os mais selvagens, com o maior número de atletas na UTI. Além de serem permitidas, as cotoveladas e os chutes no adversário no chão são muito usados. Não é à toa que os lutadores brasileiros são considerados os mais ‘‘casca grossa’’ do mundo.
Em determinados torneios, o vale tudo assume toda sua potencialidade, proporcionando cenas fortes, de violência explícita. A propósito, o termo casca grossa foi criado no Brasil, pelos lutadores que de tanto se esfregarem no tatame ficam com uma crosta de pele dura nas costas.
Por causa da grande exposição na mídia – todo final de semana há pelo menos um torneio em exibição nos canais esportivos de televisão paga – a organização de alguns torneios quer limitar a violência para não chocar muito o público.
A organização dos eventos é forte no Brasil. A Confederação Brasileira de Vale Tudo é sediada em São Paulo e presidida pelo árbitro e promoter de lutas Sérgio Battareli. O número de lutadores no Brasil gira em torno de cinco mil. No Paraná também a prática do vale tudo é grande, com aproximadamente mil atletas.
Pelo menos três lutadores paranaenses têm destaque internacional (veja texto ao lado): José Landy Martinez Johns, o Pelé, campeão mundial até 80 quilos. Wanderlei Silva, campeão mundial até 90 quilos, e Rafael Cordeiro, campeão mundial até 70 quilos.
Os três estão treinando para competições importantes nos próximos meses. Pelé vai disputar o Ultimate Fight no final de setembro, em Las Vegas (EUA). Wanderley começa na próxima terça-feira a disputar o Pride, no Japão. Rafael foi convidado para disputar um torneio no Japão em dezembro, em homenagem ao imperador daquele país.

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