Violência dos hooligans pára Marselha
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segunda-feira, 15 de junho de 1998
Agência Estado 
O medo de que novas cenas de destruição e violência se repetissem fez com que Marselha praticamente parasse ontem. Lojas não abriram, concertos foram cancelados, pessoas não saíram de casa, estabelecimentos contrataram segurança extra, estações do metrô foram fechadas. Tivemos de parar tudo por causa do jogo entre ingleses e tunisianos, reconheceu o prefeito da região de Marselha, Jean-Paul Proust, que decretou a Lei Seca, destinada a impedir venda de bebidas alcoólicas na cidade desde às 11h30 de ontem (horário de Brasília). Segundo ele, a medida é temporária.
As cenas de bares e restaurantes da região de Vieux Port sendo depredados, na madrugada de ontem, foram repetidas seguidamente pela televisão. Torcedores ingleses e tunisianos agrediram-se usando cadeiras e mesas dos bares à beira do porto. Tive de fechar correndo o restaurante, ficando com os clientes presos durante 20 minutos, afirmou Alain Bouchet, gerente do CanabiSre.
Pela manhã, a rotina foi modificada: funcionários arrumavam o que sobrou, limpando as calçadas que estavam repletas de cacos de vidro. Outros comerciantes também não queriam se arriscar à fúria dos hooligans. À noite, nenhum restaurante estava disposto a abrir.
Lanchonetes que habitualmente não têm dia para fechar, como a cadeia McDonalds, atenderam os clientes, mas com reforço extra: na loja da Rue de Rome, um segurança instalou-se na porta, auxiliado por um cachorro. A violência entre torcedores ingleses e tunisianos obrigou o cancelamento de diversos programas culturais. Já na noite de domingo, um show de salsa, jazz e flamenco foi cancelado.


