Torcedores corintianos dão socos e pontapés em jogadores do Vasco após o jogo de quarta no Pacaembu
IlustraÔao Ivo Akio


Agências Folha e Estado
De São Paulo e Rio

A violência no futebol brasileiro teve novos capítulos na madrugada de ontem, depois da partida Corinthians 2 x 4 Vasco, no estádio do Pacaembu, em São Paulo. O atacante Edmundo, do Vasco, foi agredido por torcedores que vestiam a camisa do Corinthians, na saída do estádio. Edmundo foi empurrado e levou um soco na cabeça quando se preparava para entrar no carro de amigos, com quem passou a noite em São Paulo. ‘‘Foi uma ação covarde, o cara me atingiu por trás e saiu correndo’’, contou Edmundo, que só voltou ao Rio pela manhã.
O outro atacante do Vasco, Donizete, também foi agredido com um soco no rosto, ainda no Pacaembu, quando estava a caminho do ônibus de sua equipe. Ele ficou com uma lesão no olho direito. Seu agressor teria sido também um torcedor do Corinthians.
Como havia sido escolhido, em sorteio, para ser submetido a um exame antidoping logo após a partida, Edmundo pediu aos dirigentes do Vasco que o liberasse para passar o restante da noite de quarta-feira em São Paulo. A delegação do Vasco deixou o estádio minutos antes. Após conceder várias entrevistas por causa de sua atuação decisiva no jogo e de distribuir autógrafos, já do lado de fora do Pacaembu, Edmundo foi surpreendido pela investida de um grupo de rapazes. Três seguranças do Vasco acompanhavam Edmundo à distância e não conseguiram evitar a agressão.
‘‘O soco pegou na cabeça, perto da orelha; ardeu na hora, mas não machucou’’, disse ele, por telefone. ‘‘Se eu encontrar o agressor na rua, não vou saber reconhecê-lo.’’ O craque disse que ficou ‘‘chateado’’ com o fato, mas afirmou que não procurou revidar. ‘‘Foi muito rápido, fiquei meio sem ação.’’ Ontem, ele preferiu ficar em casa para comemorar o aniversário de 1 ano do filho Edmundo Júnior.
A partida do Pacaembu também registrou incidentes. O técnico do Vasco, Antônio Lopes, imitou a atitude do vice-presidente Eurico Miranda no jogo contra o Paraná, domingo passado, e invadiu o campo ao ser expulso pelo juiz Márcio Rezende de Freitas, no Pacaembu. Pouco depois, já perto do final da partida, um torcedor do Corinthians invadiu o gramado e agrediu o vascaíno Ramon, que ia cobrar escanteio. A Polícia Militar teve que ser acionada nos dois casos. Ao ser expulso por reclamação, quando exigia um cartão amarelo para o Corinthians, Lopes se recusou a sair do gramado.
Com a presença de policiais, ele teve de aceitar a imposição e acabou atravessando o campo para ir ao vestiário, sem pressa, paralisando momentaneamente o jogo.
O jogo – O Corinthians se preocupou com o controle dos nervos e esqueceu Edmundo. Resultado: com duas assistências e dois gols o atacante decidiu o jogo para o Vasco, que venceu por 4 a 2 mesmo jogando no Pacaembu com um time desfigurado por contusões e suspensões.
Antes da partida, Edmundo realizava um Brasileiro discreto, com apenas dois gols em cinco jogos pelo time carioca. Para o técnico Oswaldo de Oliveira, o mais importante da partida era observar o comportamento dos jogadores, que foram goleados pelo Palmeiras por 4 a 1 na última rodada da competição.
Nos últimos quatro jogos que disputou pelo Brasileiro, o Corinthians foi derrotado em três. Mesmo assim, ainda mantém a liderança da competição, com 24 pontos ganhos. Já para o Vasco, a vitória significou a conquista do primeiro triunfo fora de casa na competição.

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