Villeneuve fará filme sobre o seu pai
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segunda-feira, 15 de maio de 2000
Agência Estado De São Paulo 
Se Jacques Villeneuve teria já de falar sobre a decisão de deixar a equipe BAR no fim da temporada, durante a disputa do GP da Europa em Nurburgring, no fim de semana, agora terá de contar também sobre o documentário que está produzindo. Tema do filme: Gilles Villeneuve, seu pai. O piloto canadense será até o dublê de Gilles em algumas cenas.
No domingo passado, o campeão do mundo de 1997 declarou: Gostaria de ganhar corridas com a BAR, mas como não está sendo possível, tenho de olhar minhas opções. Villeneuve encontra-se no centro do mercado de pilotos da Fórmula 1, que este ano está se agitando mais cedo do que o normal.
Jacques Villeneuve já mantém negociações com a McLaren, segundo admitiu Ron Dennis, do time inglês, e teve convite também da Jaguar e da Benetton, agora escuderia da Renault.
Além de desejar saber mais sobre o seu futuro, a imprensa certamente questionará Villeneuve, em Nurburgring, a respeito da mudança de postura com relação ao seu pai. Logo depois de conquistar seu título na Fórmula 1, em Jerez de la Frontera, o canadense foi seco ao responder quando lhe perguntaram se o feito lhe lembrara o pai. Nem ao vencer as 500 Milhas de Indianapolis eu me recordei dele, por que agora o faria?
Qualquer pergunta sobre Gilles Villeneuve significava o fim da entrevista com Jacques. Um psicólogo exploraria bem a quase patológica desassociação buscada pelo piloto com relação ao pai. A notícia de que ele está produzindo um filme a respeito da vida daquele que, ao contrário de herói, parecia representar-lhe o demônio, sugere que Jacques está relendo Gilles, o piloto preferido de Enzo Ferrari, segundo o italiano escreveu no seu livro Piloti che Gente.
Enzo chamava Gilles de acrobata, pelas manobras radicais que realizava com os carros da Ferrari. Ele possuía a chamada grinta, ou gana de vencer, tão apreciada pelo Comendador. Gilles morreu no dia 8 de maio de 1982, numa sessão de classificação para o GP da Bélgica, em Zolder. No total, disputou 66 GPs pela Ferrari e um apenas na McLaren, o primeiro, aquele que sensibilizou Enzo a ponto de chamá-lo para correr pela Ferrari. Curiosamente, Gilles largou em nono e terminou em 11º, com uma velha McLaren M23. Mas Enzo viu algo de diferente naquele rapaz de 25 anos.
É o arrojo do pai, sua coragem e determinação, por vezes incontrolada, na busca das vitórias que Jacques deseja mostrar no filme que está produzindo. Vários pilotos da época de Gilles serão ouvidos no documentário, até mesmo o alemão Jochen Mass. Ele se envolveu diretamente no acidente que matou Gilles.
Joguei meu March para a direita a fim de facilitar a trajetória de Gilles, que vinha embalado atrás com sua Ferrari. Essa mudança de direção surpreendeu o canadense que colidiu seu carro contra a March do alemão e decolou para a morte. Mass participou normalmente da corrida no dia seguinte.


