Johannesburgo - A Copa do Mundo nunca esteve tão perto de ter um goleador holandês ou espanhol. Villa e Sneijder nunca estiveram tão próximos de fazer história. Neste domingo, em Johannesburgo, cada um deles buscará a taça de campeão, a artilharia e, possivelmente, o título de melhor jogador de 2010.
  Os dois tentam se igualar a Paolo Rossi, que conseguiu tal proeza em 1982. Depois do italiano, mais ninguém. Em 2006, por exemplo, o título foi para a Itália, o francês Zidane foi eleito o craque do campeonato, mas a artilharia ficou com Klose. Quatro anos antes, Brasil campeão, Ronaldo artilheiro e Oliver Kahn o melhor da Copa. Será que alguém leva a conquista tripla na África do Sul? Não faltam votos de confiança para Villa e Sneijder. O mais importante, não faltam futebol nem motivação a eles. Cada um já balançou as redes cinco vezes e estão prontos para novas marcas.
  Ao passar em branco contra a Alemanha, David Villa perdeu a chance de igualar um feito de dois jogadores. O atacante já havia se equiparado a Rivaldo e Ronaldo, que em 2002 tinham anotado gols em quatro partidas seguidas, e sonhava com a marca do francês Just Fontaine e do brasileiro Jairzinho. Em 1958 e 1970, respectivamente, eles balançaram as redes em seis partidas consecutivas.
  O atacante espanhol, porém, não se incomoda em não atingir certos recordes. Sonha, é claro, com a artilharia da competição, mas o que ele quer mesmo é ver a Espanha levantando a taça de campeã mundial. Seja com um gol dele ou de qualquer outro companheiro. ‘‘Nunca passamos por um momento como esse na história. O grupo vem batalhando desde a Eurocopa’’, lembrou sobre o título de 2008. Há dois anos, entretanto, Villa desfalcou a equipe na decisão contra a Alemanha, por estar machucado.
  O holandês Sneijder, mesmo não sendo um atacante, até agora tem feito a festa de sua torcida com belíssimas apresentações, comandando o meio de campo e as ações ofensivas e muitas vezes fazendo gols, como nas quartas de final contra o Brasil, quando fez os dois da partida. Além disso, foi um dos principais nomes do jogo. O treinador espanhol, Vicente del Bosque, já avisou que está preocupado em não deixá-lo com espaços livres para criar em campo.
  O meia-atacante quer dar o troco na Espanha. Nada contra a seleção, mas ele deixou o Real Madrid em 2009 pelas porta dos fundos. Contratado dois anos antes por 27 milhões de euros, foi vendido para a Internazionale por quase metade deste valor. Verdade que já conseguiu mostrar seu valor antes da copa, ajudando a levar seu time ao título da Liga dos Campeões da Europa contra o Bayern de Munique na final.
  Ao site de seu clube, onde, além da competição continental, levou também o título italiano, Sneijder agradeceu o apoio dos torcedores durante a Copa, em especial depois da precoce eliminação italiana, e avisou que além da luta pelo título, jogar uma final de Mundial tem um componente lúdico: ‘‘Vou fazer um jogo que toda criança sonha em jogar. Como sempre, farei o meu melhor para não decepcioná-los’’, disse.

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