Vida e carreira de Telê são imortalizadas em livro
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de abril de 2000
Por Paulo Guilherme 
São Paulo, 24 (AE) - A vida e a carreira de Telê Santana estão agora imortalizadas no livro "Fio de Esperança" (Editora Gryphus), do jornalista André Ribeiro, lançado oficialmente na noite de hoje na sede da Federação Paulista de Futebol. Aos 68 anos, Telê continua sendo referência como modelo de treinador completo nos aspectos técnico, tático, psicológico e, principalmente, na formação de jogadores, em mais de meio século dedicado ao futebol.
Telê afastou-se da carreira de treinador desde que sofreu um sério problema de isquemia cerebral, em 1997. A doença obrigou Telê a levar uma vida de reclusão em sua casa em Belo Horizonte, tendo de se submeter a uma rotina de tratamento médico e de fisioterapia.
Telê nasceu na cidade mineira de Itabirito, no dia 26 de julho de 1931. Começou sua carreira como jogador nas equipes de base do Fluminense. Campeão carioca de juniores em 1950, passou ao time principal no ano seguinte. Destacou-se como ponta-direita.
Por causa do seu tipo franzino e da grande disposição em campo
sempre mostrando um excelente condicionamento físico, foi batizado de fio de esperança, o apelido que dá título à sua biografia.
Foi como treinador, no entanto, que Telê ganhou reconhecimento nacional e internacional. O primeiro título veio em 1969: campeão carioca pelo Fluminense, clube que até hoje ele considera o seu favorito. No Atlético-MG, foi campeão mineiro em 1970 e brasileiro em 1971. Ganhou também o título gaúcho de 1977 pelo Grêmio e, em 1980, quando era técnico do Palmeiras, foi convidado para dirigir a seleção brasileira.
Foram duas passagens pela seleção. A primeira, de 1980 a 1982, marcou época com o time que disputou a Copa do Mundo de 1982, na Espanha, e encantou o planeta com as jogadas de Zico, Sócrates, Falcão e Éder. Com a derrota para a Itália, em Barcelona, o sonho veio abaixo e Telê deixou o cargo, indo trabalhar na Arábia Saudita. Ele voltaria ao Brasil para reassumir a seleção em 1985 e preparar o time para a Copa de 1986, no México. Nova derrota, agora para a França, nos pênaltis, nas quartas-de-final. E Telê deixaria de vez a Confederação Brasileira de Futebol.
O fracasso nos dois Mundiais valeu a Telê a fama de fé-frio, de que só conseguiu se livrar com a série de títulos que conquistou com o São Paulo, clube onde trabalhou por seis anos: dois mundiais interclubes, duas Libertadores da América, um brasileiro, dois paulistas, além de outros torneios internacionais.
Telê chegou a ser convidado para dirigir o Palmeiras, em 1997. Foi apresentado aos jogadores, mas os problemas de saúde o impediram de assumir o cargo. Até hoje, sob a supervisão da mulher, Ivonete, e do filho Renê, ele não deixa de acompanhar os acontecimentos do futebol brasileiro. "Não consigo ficar longe do futebol", costuma dizer Telê aos amigos.


