A londrinense Thalita Pascual nunca tinha pensado em ser atleta até conhecer o bodybuilding, ou fisiculturismo, como é mais conhecido no Brasil. "Pelo contrário, era sedentária e bem magra", conta, aos risos. Mas a trajetória mudou radicalmente há dois anos. Nos Estados Unidos há 16 anos, ela conheceu a modalidade na academia onde treina, em Nova Iorque, e se apaixonou. "No começo, foi mais por um objetivo pessoal, uma vontade de atingir meu melhor físico, mas aí viciei no esporte", relembra ela.
Viciou tanto que a brincadeira virou coisa séria. Um dia pesquisando em blogs dedicados ao esporte, resolveu dar um passo além e decidiu treinar para competir. "Vi o perfil das meninas e pensei: eu posso atingir este nível."
Foi então que começou para ela a verdadeira vida de um competidor fitness. Para atingir o corpo ideal para as competições, Thalita precisa ter uma vida completamente regrada, com hora para tudo. "Tem hora para comer, para treinar e também para dormir. A intensidade de treino varia muito se estou em preparação ou não", explica a bodybuilder. Mas se engana quem pensa que ela se incomoda com a rotina. "Não diria desgastante, porque amo o que faço. É uma rotina disciplinada", define.
Nos dias que antecedem as competições, a rotina fica ainda mais pesada e inclui até abstinência de água 24 horas antes de subir ao palco. "E quando acordo no dia (da competição), tomo café preto, meio copo de água, como 200 gramas de filé mignon e 100 gramas de arroz", descreve. "É para dar aquela aparência seca, para as veias ficarem mais visíveis. É o que a gente chama de look dry (visual seco, em inglês)", completa a atleta, que compete na categoria biquíni, que exige baixo teor de gordura corporal e músculos extremamente definidos.
Tais hábitos não dizem respeito apenas ao esporte. Segundo os norte-americanos, o bodybuilding é estilo de vida que visa a realização de atividades extremamente saudáveis e superação de objetivos, além do crescimento muscular. A novidade é que nesses últimos anos os avanços tecnológicos e nutricionais transformaram o fisiculturismo em uma arte de modificação corporal que pode ser alcançada por qualquer pessoa que tiver bastante disciplina e determinação.
Por não ser cidadã americana, a londrinense de 30 anos ainda não pode participar de competições nacionais e disputa, atualmente, apenas torneios regionais. Uma alternativa seria ganhar o Arnold Classic Ohio, uma das principais competições do esporte que acontecem em solo americano, mas a correria deste ano a fez desistir desse objetivo, ao menos por enquanto.
"Devido ao intensivo que foi 2013, com sete competições nas costas e nenhuma desclassificação, resolvi me dar umas férias", observa. Quando retomar, a londrinense já adiantou que o foco é "pegar firme" novamente nos treinos para poder competir profissionalmente em 2014.
Por conta disso, sobreviver apenas do esporte ainda é um sonho distante. Sem poder participar dos grandes torneios, que fornecem boas premiações em dinheiro para os vencedores, a renda para se manter nos EUA vem do trabalho como personal trainer, e também de algumas participações como modelo fitness.

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