Curitiba - A presidente da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), Vicélia Ângela Florenzano, afastada recentemente devido a liminar concedida à Universidade Norte do Paraná (Unopar), obteve recurso que revoga a primeira decisão da 10 Vara Cível de Curitiba e voltou ontem ao cargo. A dirigente, ao retomar suas funções, reafirmou a impossibilidade de acordo com a universidade, referência nacional da ginástica rítmica, que discorda da atual gestão na confederação.
Vicélia foi afastada há 18 dias porque o juiz Rogério de Assis, da 10 Vara Cível de Curitiba, considerou as denúncias da Unopar, que acusa a CBG de falta de transparência administrativa nos balanços dos anos de 2003 e 2004. Após a notificação da então presidente e da entidade, a dirigente deixou o cargo para sua vice, a sergipana Maria Luciene Rezende.
O episódio marca mais um capítulo da queda-de-braço entre CBG e Unopar. Desde a desativação do centro nacional da ginástica rítmica em Londrina, houve polarização entre a confederação e o antigo núcleo, que defende mais recursos e o retorno das atividades da ginástica rítmica para a região. Aos olhos da universidade, a descentralização desarticulou a modalidade devido a maior atenção e recursos destinados à ginástica artística.
Vicélia descartou a possibilidade de divisão das duas modalidades em entidades com administrações distintas e a existência de indisposição entre ambos os grupos na própria CBG. ''Não existe racha entre ginástica rítmica e artística. Existe insatisfação da Unopar. Não posso atender o pedido deles e não vamos mudar o projeto, que foi aprovado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB)'', adiantou Vicélia, que também acha inviável, atualmente, a possibilidade de um acordo com a universidade. ''Nesse momento não existe possibilidade de acordo, estamos sujeitos a julgamento e precisamos esperar acabar esse clima de litígio. Hoje não tenho condições de conversar com a Unopar. Do futuro não posso dizer, o futuro a Deus pertence'', completou.
Defesa O recurso que revogou a liminar de afastamento de Vicélia foi obtido ontem junto ao desembargador José Antônio Vidal Coelho, do Tribunal de Justiça do Paraná. Os advogados da CBG apresentaram os balanços referentes a 2003 e 2004 sem irregularidades orçamentárias e com assinatura de assembléia da entidade, juntamente com o aval do Comitê Olímpico Brasileiro.
De acordo com Marcelo Teixeira, um dos advogados da CBG, o desembargador entendeu então que não há necessidade de afastamento de Vicélia até o julgamento do caso, ainda sem data definida. ''Apresentamos a documentação com contas aprovadas em assembléia. O que eles (Unopar) tinham apresentado antes era um relatório incompleto, parcial, de auditoria realizada pela própria CBG. Além disso, na primeira decisão, a própria Vicélia não foi ouvida'', explicou. ''Mas ainda é um processo longo, cheio de recursos. Vamos aguardar'', comentou Teixeira.

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