Cesar AugustoAntes de ser Emília Belinati e vice-governadora do Estado, Emília Sales foi armadora no basquete, com um bom arremesso. Com a camisa 6 da seleção de Londrina, por uns alguns anos Emília ajudou a cidade e até o Paraná a conquistar vitórias. Em 64, integrou a seleção paranaense, terceira colocada no Brasileiro de Seleções, disputado no ginásio Colossinho, em Londrina. Depois que se casou com Antônio Belinati (hoje prefeito), a vida da jogadora tranformou-se completamente. Emília deixou o basquete para trás, ingressou na vida política, mas não se esqueceu de suas raízes: ‘‘Lembro-me que minha mãe me acompanhava, às 5 horas da manhã, do final da Higienópolis até o Colégio Vicente Rijo, onde hoje é o Marcelino Champagnat, esperava terminar o treino e a gente voltava para casa. Era um percurso de cinco quilômetros’’.
A atual vice-governadora jogou contra feras como Maria Helena, Ingborg e Lauri. E se não enfrentou a ‘‘rainha’’ Hortência ou ‘‘Magic’’ Paula, teve pela frente Norminha, a ‘‘rainha do jump’’, na época estrela máxima do basquete brasileiro. Ao lado de um grupo que pode ser considerado o melhor de todos que Lonrina revelou, Emília chegou a ser um destaque.
Para ela, a diferença do basquete de seu tempo de jogadora para o atual está na profissionalização. ‘‘Os clubes têm melhores estruturas, patrocínios. Uma época diferente da nossa, em que a gente jogava com bola de capotão, em quadras com pisos de cimento ou de asfalto. Hoje em dia mudou tudo e essa diferença eleva a condição técnica do atleta. Antes era bem amador, com jogadores comprando seu próprio material. Era mais na vontade de cada um e das lideranças políticas’’, disse a ex-jogadora londrinense.
Segundo Emília, o avanço da tecnologia criou maiores possibilidades para técnicos, jogadores e até preparadores físicos. ‘‘A evolução técnica é muito grande, há mais recursos. Por essa razão é que fica difícil querer comparar períodos. Cada um tem suas dificuldades ou facilidades. O que dá para se perceber, é que o mesmo prazer que eu sentia jogando, se vê nas atletas vibrando nos tempos de hoje. Quem não tinha orgulho de defender o Brasil na minha época? E hoje, é diferente? Não acredito’’, completa a vice-governadora.
Criatividade Para Gilberto D’Ávila, o Bi, um dos grandes nomes do basquete londrinense, há grande diferença entre o basquete que ele praticava e o de hoje: ‘‘Não vejo tanta criatividade mais. Parece que falta vontade também. A principal diferença entre as duas épocas está no tamanho dos jogadores e na preparação física. Não é comum você ver numa partida, uma enfiada de bola. Um drible seguido de um belo ‘jump’, ou até mesmo um ‘gancho’ bem feito’’, diz o Bi.
Para Bi, ‘‘os jogadores atuais ficam muito presos aos sistemas táticos e por essa razão deixam de fazer uma jogada bonita’’. Ele lembra que o time em que jogou, nos anos 60, foi um dos melhores do Estado. Além dele, atuavam no Country: Marcos Maculan, Álvaro Betoni, Lelbe Fransciconi e Walmir Ladeia, o Goose. (I.C.)

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