Vinte e quatro equipes disputaram o evento mais esperado do ano! Atenção Rinx, dois metros para trás, frente Canoar, Ativa e Fogo na Bomba volta, volta! Atenção para o comando... Vai! Desta forma o presidente da Federação Paranaense de Canoagem, Argus Gonçalves, dava a largada da decisiva prova de descenso. O momento era dominado pela ansiedade; o alinhamento das equipes, que largavam em baterias de quatro, no fluxo da correnteza de um rio consiste numa tarefa complicada e estressante...
A cidade de Tibagi, a 200 quilômetros de Curitiba, recebeu neste último feriadão 24 equipes de diferentes estados para a disputa do 6º VI Campeonato Brasileiro de Rafting. Os vencedores das categorias masculinas e femininas ganhariam o direito de representar o Brasil no Campeonato Mundial, marcado para setembro, no Gauley River, EUA. A luta durou quatro dias e os campeões só foram definidos nos últimos instantes...

Quatro dias
de competições

Foram cinco as modalidades em disputa nos quatro dias do feriado: resgate, tiro de velocidade, sprint paralelo, slalom e o decisivo descenso de seis quilômetros. O Rio Tibagi estava baixo e, a cada dia, diminuía ainda mais o seu nível de água, tornando a prova mais técnica e competitiva. Este ano temos quinze equipes de ponta, com grandes chances de faturar o título brasileiro. A evolução do rafting nas regiões sul e sudeste impressiona e acontece graças à proliferação de escolinhas, que atrai cada vez mais adeptos, explica Guto Batista, diretor de arbitragem da prova. É praticante há sete anos, proprietário da Montana Rafting, operadora em São Luiz do Paraitinga, SP.
Na quinta-feira, a Copa Brasil de Resgate roubo a cena, evento paralelo ao brasileiro, concorrido em 300 metros do rio, incluindo tarefas como virada de bote, portage (atletas carregam o inflável por cima de pedras e obstáculos) e o resgate de um integrante da equipe entre as corredeiras. O que efetuar todas as atividades em menor tempo leva o caneco. É uma prova técnica que exige coragem e agilidade dos competidores. Grande parte deles trabalham como instrutores em operadoras de rafting e obtiveram da prova um excelente treino para situações reais de emergência. As equipes curitibanas, Ixion Geo/ Praia Secreta e Cachoeira Ensitec, sagraram como as grandes campeãs da modalidade, nas categorias masculino e feminino, respectivamente.
Com a ajuda de São Pedro, a torcida de Tibagi compareceu em peso às margens do rio que corta a cidade: O público vibrando junto às corredeiras nos motivou muito durante toda a competição, revela o capitão da Canoar Master, João Carlos, uma das favoritas ao título. Os dias límpidos colaboraram para espantar o frio do inverno paranaense. Na sexta-feira, pela manhã, começou a primeira prova do campeonato brasileiro: o tiro de velocidade, valia 100 pontos e definia o grid de largada das próximas etapas. O que percorresse o trecho das corredeiras (500 metros) em menor tempo vencia. Nesta modalidade sobressaíram os divertidos atletas da equipe Montana Jeca Tatu, ficaram com o melhor tempo. Com a idade média de 20 anos, os competidores vestiam exóticos chapéus de palha, caipiras, inspirados no personagem de Monteiro Lobato, Jeca Tatu, que andava descalço pelo mato com a bendita peça na cabeça... A equipe veio da cidade de São Luiz do Paraitinga, vizinha à terra natal do Lobato, Taubaté, SP.
À tarde, foi a vez do sprint paralelo, corrida entre duas equipes, que largavam no remanso (águas paradas) com um raia entre elas, de 30 metros de extensão, e se mandavam corredeira abaixo, se enroscando, batendo e remando muito! Quem pegava a melhor linha (fluxo de água) chegava na frente. A surpresa ficava para a seção do Chaca, corredeira nível 3, de degrau acentuado, a poucos metros da linha de chegada. Qualquer deslize, o bote poderia virar ou sair da linha. Melhores do Sprint: Canoar Máster (SP), masculino, e Aventureiras (RJ), feminino.

Técnica e agilidade
no Slalon

Novamente as Aventureiras levaram a melhor, por menos de dois segundos à frente das paranaenses da Cachoeira. Quatorze portas foram estrategicamente penduradas num trecho do Tibagi, e definiam o percurso a ser traçado pelas equipes. As de cor verde, indicavam que o bote deveria passar conforme o fluxo da água, descendo o rio, já as vermelhas, as chamadas remonta, deveriam ser vencidas contra a força fluvial... Qualquer toque nas balizas era apurado pelos atentos fiscais de prova. Várias foram as equipes passando direto com os botes totalmente fora das portas. Foram realizadas duas descidas por equipe, onde a melhor delas foi contabilizada. O curioso foi que a maioria dos grupos erraram menos numa terceira descida, a de reconhecimento, que antecedeu às que realmente pontuaram... Os gaúchos da Central Sul deram um show à parte classificando-se em primeiro lugar na modalidade, recebendo 300 pontos.

Final Acirrada

O domingo amanheceu chuvoso, logo na prova mais esperada, a descida dos seis quilômetros. A etapa era decisiva, valia 400 pontos e o vencedor certamente ganharia o título nacional e a almejada vaga para o mundial. As equipes foram agrupadas em baterias de quatro e largavam com pequenos intervalos de tempo. Tudo levava a crer que a luta ficaria entre as quatro primeiras: Canoar Master (SP), Jeca Tatu (SP), Central Sul (RS) e Ixion Geo/Praia Secreta (PR), esta última, de Curitiba, contou com a brava luta do capitão, Daniel Spinelli, que na prova de slalom do dia anterior, sentiu uma dor insuportável na coluna, era sua hérnia de disco que voltava a dar sinais num momento inoportuno de sua vida. Enfaixado e empurrado por muita reza forte, o corajoso comandante não deixou sua equipe na mão e resistiu até o fim, ficando com a quinta colocação no descenso e no geral em sétimo. O grupo catarinense da Ativa Hering superou todas as expectativas e virou a mesa: Largamos em quinto, na segunda bateria, sentimos que estávamos bem quando tivemos o contato visual com a primeira bateria..., conta Udilon Ewald, atleta que ajudou a equipe a conseguir o melhor tempo: 30min15s28, faturando 400 pontos e o primeiro lugar geral do campeonato.
A bateria das meninas foi ainda mais acirrada: as aventureiras (RJ) largaram bem, seguidas de perto por quase toda a extensão da prova pelas paranaenses da Cachoeira, como contam as atletas Patricia Gasparelo e Milena Paraná: Esperamos o momento certo de dar o bote, já no final do remanso (de 5 Km), e abrimos uma certa distância. Fomos alcançadas numa bifurcação que elas pegaram a linha esquerda, mais rápida, e chegaram na frente, juntinho, no trecho das corredeiras. Neste trajeto, de ampla visão por parte do público, os dois botes se alternavam na liderança, descendo no maior gás as corredeiras, e já na final, a do Chaca, parecia que a Cachoeira levaria a melhor, com um bote de vantagem. As Aventureiras responderam e caíram numa linha melhor e chegaram esticando os narizes... Ficaram atrás, a uma cabeça das paranaenses...
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