Se a todo ano que começa, as esperanças em torno das atividades do Londrina Esporte Clube se renovam, o mesmo já não pode mais se dizer do estádio Vitorino Gonçalves Dias, o principal palco dos jogos do clube nos últimos anos.
Em 1946, quando começou a sua construção, pela Prefeitura de Londrina, o estádio foi motivo de orgulho na cidade. Ainda com o nome Aquiles Pimpão, recebeu o apelido de ''Pacaembuzinho'', devido à forte influência paulista na cidade.
Dez anos mais tarde, foi inaugurado, passou a ser a casa do Londrina Esporte Clube e ganhou o nome atual: Vitorino Gonçalves Dias. Já em 6 de setembro de 1990, foi cedido ao Londrina Esporte Clube em comodato. E desde que o contrato terminou no final do ano passado, o estádio virou alvo de uma polêmica, e vem gerando muita discussão na cidade.
A Prefeitura já tem um projeto que prevê a sua venda. Com o dinheiro que pretende levantar - cerca de R$ 7 milhões - a administração defende a modernização do estádio do Café, afim de receber uma seleção para treinamentos na Copa de 2014, no Brasil. O restante seria aplicado na construção de uma Vila Olímpica, nos moldes da que foi construída em Maringá.
Enquanto a administração se movimenta junto à Câmara de Vereadores para agilizar este processo, a discussão segue e muitos defendem formas de manter vivo um dos símbolos marcantes da história do futebol londrinense.
O administrador do estádio, Edson Henrique dos Santos, 58, conhece o local como ninguém. Afinal já são mais de 20 anos de dedicação permanente. Para ele, o estádio ainda reúne bons motivos para continuar sendo utilizado pelo clube e sua nova parceira.
''O VGD está numa região central da cidade, o torcedor sempre gostou de ver o time aqui. Além disso, para a Segunda Divisão, com os jogos amarrados, onde o time precisará do apoio da torcida, seria melhor jogar aqui. Com uma boa reforma e um pouco de vontade se resolvem os problemas'', garantiu Seo Edson, que prevê gastos em torno de R$ 50 mil para deixar o estádio em condições de uso.
O VGD está interditado oficialmente pela Federação Paranaense de Futebol (FPF) desde o início de 2008. No estadual do ano passado, o LEC mandou quase todos os seus jogos no Café, e só voltou para o VGD na última rodada - contra o Coritiba, o jogo do rebaixamento -depois de uma pequena reforma que ''maquiou'' os maiores problemas do estádio.
A última grande reforma foi realizada em 1991, com o dinheiro da venda do atacante Élber para o Milan (ITA). Foram reformados todos os setores, desde arquibancada, passando pelo gramado, que ganhou o sistema drenagem, até os vestiários e a construção dos alojamentos embaixo das arquibancadas. ''Isso aqui parecia um campo de guerra, tinha operários trabalhando em todo canto'', lembra.
Os problemas de hoje já são bastante conhecidos. Os mais preocupantes são o estado da marquise que cobre as cabines de imprensa e o teto do vestiário usado pelo Londrina, que é escorado por uma viga de madeira. Além disso, ainda têm os problemas hidráulicos e elétricos e o alambrado que cerca o campo, que está velho e precisa ser trocado.
Problemas antigos
Outro importante personagem da história do Londrina, o ex-atacante Antero Bombassaro, o Gauchinho, maior artilheiro do clube, com 303 gols, se diz favorável à venda do VGD, desde que o dinheiro seja aplicado na estruturação do esporte londrinense.
''Não vejo problemas em vender o VGD. É um estádio velho, com instalações comprometidas. Entendo que o mais correto seria vender e aplicar o dinheiro na construção de um moderno Centro de Treinamentos para várias categorias, não só para o futebol. Isso seria um avanço grande para a cidade, que precisa fortalecer o esporte'', opinou.
Gauchinho, que jogou mais de 10 anos no VGD - contando suas três passagens pelo LEC -se lembra com carinho da época que jogou no VGD, mas revelou que o estádio já apresentava problemas. ''Vivi muitos momentos bons lá, foi minha casa por muito tempo, mas o gramado já era ruim, muito ondulado. Então, imagina hoje'', disse Gauchinho, para depois completar. ''Não para lamentar. Vamos guardar na memória os momentos, mas temos que evoluir''.

mockup