VEXAME HISTÓRICO
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de junho de 2003
Paulo Cobos<br> Agência Folha 
Saint-Étienne - Um fiasco histórico e a prova que, sem suas grandes estrelas, especialmente Ronaldo, o Brasil não é hoje nenhum bicho-papão. Este é o saldo da participação do time nacional na Copa das Confederações-03, encerrada ontem com um empate de 2 a 2, em Saint-Étienne, contra a Turquia.
Foi a primeira vez desde 1966, quando caiu logo no início da Copa da Inglaterra, que a seleção foi eliminada em uma primeira fase de um torneio mundial organizado pela Fifa. Foi também mais um fracasso de um grupo que não contava com Ronaldo o País só foi campeão nos últimos dez anos quando teve o atacante do Real Madrid no elenco.
Foi ainda uma exibição de um time que sofre para marcar gols foram apenas oito em sete partidas na temporada 2003. ''O Brasil é a mesma coisa com Ronaldo ou não. Só precisa treinar e trabalhar. Não dá para cobrar um resultado agora'', disse, tenso, o técnico Carlos Alberto Parreira, que, como havia prometido, começou o confronto de ontem com o time modificado.
Os laterais Belletti e Kléber foram sacados, dando lugar a, respectivamente, Maurinho e Gilberto. Precisando vencer para seguir na competição, o treinador também optou por trocar um meia, Alex, por um atacante, Ilan.
E foi justamente com o jogador do Atlético Paranaense que a seleção teve sua primeira chance. Aos 7 minutos, Kléberson cruzou na medida, Ilan acertou forte cabeçada e a bola foi no travessão de Recber.
Mesmo enfrentando um adversário retrancado, a Turquia deixava apenas um jogador fixo no ataque, o Brasil continuou a encontrar espaço. Aos 16, depois de falha de Recber, Adriano quase marcou. Na segunda chance que teve, aos 23 minutos, o goleador do Parma não perdeu a oportunidade, tocando, de cobertura, na saída do goleiro do time turco.
Com Basturk mais ativo, a Turquia partiu para cima do Brasil no segundo tenmpo e o empate não demorou para sair, em um lance muito parecido com o gol brasileiro Karadeniz tocou, aos 8 minutos, por cima de Dida.
Parreira novamente mudou tudo, colocando Gil, Alex e Kléber, mas a situação ficou ainda pior. Aos 35, com o Brasil todo à frente, Basturk puxou um contra-ataque e tocou para Yilmaz fazer o gol que vingou a Turquia das duas derrotas na última Copa do Mundo e mandou o time de Parreira, que ainda conseguiu o empate, já nos acréscimos, com um chute rasteiro da entrada da área de Alex, de volta para casa.
''Só lamento termos deixado a competição na melhor partida que fizemos neste ano'', afirmou Parreira. Abalados, os jogadores não escondiam a decepção. ''O torcedor brasileiro está triste, pois quer sempre vencer. Mas nós também estamos, porque também somos torcedores'', disse o meia-atacante Ronaldinho.
Em Saint-Étienne
Brasil 2
Dida; Maurinho, Lúcio, Juan e Gilberto (Kléber); Emerson, Kleberson, Ronaldinho e Ricardinho (Alex); Ilan (Gil) e Adriano. Técnico: Carlos Alberto Parreira
Turquia 2
Rustu; Akyel, Alpay, Korkmaz e Ibrahim; Gokdeniz, Selcuk (Balci), Volkan (Yilmaz) e Ergun (Toraman); Basturk e Tuncay. Técnico: Senol Gunes
Árbitro: Markus Merk (ALE)
Estádio: Geoffroy-Guichard
Expulsão: Ronaldinho
Gols: Adriano, aos 23 do 1º tempo; Gokdeniz, aos 7, Yilmaz aos 36, e Alex, aos 48 do 2º tempo


