Vexame faz Muricy perder status de intocável
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quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Fernando Faro<br>Agência Estado 
São Paulo - Acabou o salvo-conduto de Muricy Ramalho no São Paulo. A vexatória eliminação para o Bragantino em casa na Copa do Brasil pôs fim à paciência com o técnico, que em mais de oito meses de trabalho ainda não conseguiu dar um padrão tático ao time e amargou a terceira queda para equipes sem expressão nos últimos meses. A reportagem conversou com diretores e conselheiros e todos foram unânimes ao admitir que o treinador precisa fazer a equipe render.
O primeiro impacto será sentido na manhã desta sexta-feira, quando o vice Ataíde Gil Guerreiro enquadrará o grupo e a comissão técnica em uma reunião fechada no CT da Barra Funda. O dirigente, homem forte do futebol e com amplos poderes no departamento, é o mais irritado com a instabilidade da equipe e quer uma reação imediata do grupo já no clássico contra o Palmeiras. Um dos maiores defensores de Muricy Ramalho, Ataíde começa a demonstrar insatisfação.
Os questionamentos sobre os métodos e escolhas de Muricy Ramalho partem também do restante da diretoria, que aumentou o tom das críticas após a eliminação na Copa do Brasil. Apesar de enxergar culpa também nos jogadores, os aliados de Aidar direcionaram os canhões para o treinador. "Estamos quase no fim da temporada e o time joga de qualquer jeito. É uma correria horrorosa, jogam a bola para o Ganso e esperam que ele resolva", reclamou um dos membros da diretoria.
A eliminação para o Bragantino foi o episódio mais recente do treinador. Antes da queda na Copa do Brasil, o São Paulo já havia caído para a então eliminada Ponte Preta na semifinal da Copa Sul-Americana do ano passado (perdeu o jogo de ida no Morumbi por 3 a 1, o que acabou sendo determinante) e neste ano sucumbiu para a Penapolense nos pênaltis também no Morumbi. Dos vexames, apenas o último aconteceu na atual gestão.
A mudança de cenário mais significativa é que antes tanto Aidar quanto Ataíde defendiam integralmente Muricy Ramalho, mas reservadamente as críticas começam a surgir. Em entrevista coletiva, Aidar voltou a manifestar apoio ao treinador, mas não deixou de dar estocadas no desempenho da equipe. "Segundo minha terapeuta, minha paciência está no fim. Ela me disse: 'Carlos Miguel, tenha um pouquinho mais de paciência. Em mais duas semanas o time entrosa' (risos)".
O presidente também voltou a exprimir a sua insatisfação ao comentar se a contratação de jogadores prestigiados como Kaká e Michel Bastos, apresentado nesta quinta, não aumentava a pressão na equipe. "Aumenta a obrigação, um time como esse não pode performar mal. Jogadores desse nível devem ter uma apresentação que agradem à direção e à torcida", disse.
Apesar dos maus resultados, Aidar diz que mantém a ideia de não demitir Muricy Ramalho. " A longevidade ajuda a trazer o resultado; veja o técnico da Alemanha (Joachim Löw), ele perdeu uma Copa em casa e depois deu show no Brasil", defendeu.


