São Paulo - As veteranas Vânia Ishii e Danielle Zangrando, ambas com duas Olimpíadas na bagagem, estão cada dia mais distantes dos Jogos de Pequim. Devem passar o bastão para as garotas da nova geração: Danielli Yuri, de 24 anos e Ketleyn Quadros, de 20 anos, respectivamente.
Para definição da vaga olímpica, a Confederação Brasileira de Judô adotou como critério avaliar os atletas nas etapas européias - o circuito foi encerrado no último final de semana. Vânia, que luta na categoria meio-médio (até 63 kg), competiu nas etapas de Paris e Budapeste e não venceu nenhuma luta sequer. Sua adversária Danielli venceu um combate em Varsóvia e nenhum em Hamburgo.
Com o desempenho parelho das duas, é até possível que a experiência de Vânia fale mais alto. E ainda tenha chance de arrumar as malas para China. Em 2007, Vânia não fez parte da equipe permanente que disputou os Jogos Pan-Americanos. E viu sua rival ganhar a medalha de prata no Rio de Janeiro. Mesmo assim, está tranquila. ''Já fiz tudo o que podia fazer e terei de esperar a lista oficial.''
A serenidade de Vânia passa longe da irritação de Zangrando. Campeã pan-americana na categoria leve (até 57 kg), a santista vem se queixando de dores nas costas e no quadril. E afirma que não competiu em condições físicas iguais à adversária, Ketleyn, que somou quinto e nono lugares nas etapas de Paris e Budapeste. Zangrando não passou da primeira luta nas competições de Hamburgo e Varsóvia.
A novata Ketleyn afirma que as duas tiveram as mesmas oportunidades. ''Muitas pessoas pensam pelo lado da experiência. Não me apego ao passado. Respeito a história da Danielle, mas consegui bons resultados'', diz a judoca. As dores no quadril incomodam Zangrando desde o ano passado. Um mês antes do Pan, a judoca passou por uma cirurgia na região e fez fisioterapia intensiva no departamento médico do Santos com a ajuda de Nilton Petroni, o Filé, que agora está no Palmeiras. Mas voltou a sentir dores durante o treinamento na Alemanha, há duas semanas.
Ney Wilson, coordenador-técnico da Confederação Brasileira de Judô, diz que entende a lesão da atleta. ''Mas não podemos tratar os judocas de maneira diferente. Os critérios são iguais para todo mundo'', explica Wilson. ''Claro que a Danielle é excepcional e tem uma história irrepreensível no judô. Mas não sabemos em quanto tempo ela ficará boa. Também não podemos mudar o jogo depois de iniciado. Eu não decido sozinho quem vai a Pequim'', diz Wilson.

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