Depois de viver a infância, a juventude e a boa parte da vida adulta passando vergonha na água, um homem aprende a nadar aos 53 anos. Gosta da experiência. já que não pode mais disputar a bola nas acaloradas pelejas do ''amadorzão'' o joelho está machucado, não suporta mais qualquer impacto começa a frequentar as piscinas. Cada vez mais. Até se atrever a competir. E a ganhar.
Doze anos depois do início desta história, com a saúde inabalável, o advogado cível e trabalhista Floriano Yabe, 65 anos, coleciona 120 medalhas em diversos torneios pelo País e Exterior, muitas fotos no pódio e milhares de horas de dedicação ao esporte mais recomendado pela medicina preventiva.
Nada cerca de 20 km por semana na Academia Wet Sport, sua patrocinadora junto com o Grêmio Londrinense. Três vezes por semana, acorda às 5 horas, vai até a academia, faz 20 minutos de aquecimento, 45 de reforço muscular e 45 de alongamento.
Tanto esforço está sendo recompensado nas disputas da categoria de 65 a 70 anos, nas provas de 100 e 200 metros costas. As últimas conquistas foram as duas medalhas de ouro e as duas de prata no 5º Campeonato Sul-Americano de Natação Master, disputado em Guayaquil, no Equador, de 20 a 24 de novembro.
''Sinto que outras pessoas poderiam fazer o que faço, mas falta força de vontade para competir e ter uma motivação a mais. Não conheço ninguém em Londrina da minha faixa etária que dispute provas'', lamenta o advogado, que já conheceu, por causa da natação, cinco países: Equador, Argentina, Venezuela, Estados Unidos e Marrocos.
Ele quer acrescentar a Nova Zelândia a esta relação. Entre março e abril, este país da Oceânia sediará o Campeonato Mundial. Com a vaga garantida no principal evento masters da modalidade, Yabe ainda não sabe se poderá custear os US$ 6 mil necessários para a viagem e a estadia do outro lado do mundo.
''Com patrocínio, estarei lá com toda a certeza'', garante. ''Além de ter a honra de estar no Mundial, poderei ter nas raias vizinhas ex-campeões olímpicos. Vai ser emocionante'', prevê Yabe, do alto dos seu 1,60 metro, que um dia já esteve a serviço da lateral-direita do Grêmio da Vila Nova com o apelido de Toyota.

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