Veterano brilha no futsal do Cazaquistão
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terça-feira, 23 de maio de 2006
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
O paranaense Waguinho, 38 anos, campeão mundial de futsal com a seleção brasileira em 1996, está em Londrina passando as férias com a família após sua primeira temporada no incipiente futebol de salão do Cazaquistão, ex-república soviética situada na Ásia Central, entre a China e o Afeganistão. Ele foi campeão cazaquistanês pelo Kairat, da cidade de Almaty, a antiga capital e maior cidade do País, com 1,5 milhão de habitantes.
Waguinho é nascido em Cornélio Procópio e veio com os pais para Londrina aos 2 anos, permanecendo aqui até os 16 foi formado nas equipes de base da AABB. Depois que se mudou para o Candeias, de Curitiba, o jogador ganhou o mundo e já passou por mais de 15 clubes.
As passagens mais vitoriosas foram pela extinta Inpacel, de Arapoti (PR), pela qual foi bicampeão sul-americano em 1992/1993, e pelo Internacional (RS), com o qual foi campeão mundial de clubes atuando ao lado de craques como Serginho (goleiro), Manoel Tobias e Ortiz.
A experiência no Cazaquistão está sendo diferente de todas as anteriores. Ele foi para lá após receber um convite do técnico londrinense Guto Reeberg, quando se encontraram em férias na cidade, em junho do ano passado. Reeberg já estava no Kairat desde 2004, quando foi campeão nacional e também da Copa do Cazaquistão.
Waguinho, que joga de ala/fixo, recém havia chegado do Burella, time da segunda divisão espanhola e estava estudando propostas no Brasil e na Espanha. ''Quando o Guto me convidou, fiquei em dúvida por ser um lugar muito diferente e distante de tudo (o Cazaquistão), mas aceitei depois de falar com outros colegas que já estavam lá no clube, o Ettiene, o Cacau (alas) e o Gustavo'', contou.
Nesta primeira temporada, a maior dificuldade de adaptação foi com a língua o idioma nacional é o russo embora os atletas tenham no clube um intérprete brasileiro. ''O problema é quando a gente está em casa ou nas ruas. Dos jornais a gente não entende nada. Quando ligo a tevê, mesmo nos canais a cabo, só tem programa em russo. A melhor opção que temos é uma TV educativa espanhola, onde ouvimos noticiário, e o Eurosport, que passa um jogo por semana do Campeonato Brasileiro, só no domingo à noite'', diz ele.
Nas horas vagas, para matar a saudade do Brasil Waguinho mora sozinho em um apartamento no centro de Almaty vai a cybercafés para acompanhar pela internet o que acontece por aqui. ''Também trocamos muitos CDs e DVDs entre os jogadores brasileiros. Cada um leva daqui uns 60 DVDs para a gente ter o que assistir na nossa língua durante a temporada'', relata.
O campeonato local ainda não é competitivo. Seu time, o Kairat, foi bicampeão com sete rodadas de antecipação e terminou com 21 pontos à frente do segundo colocado, o Aktobe. E como manter a motivação numa competição assim? ''Trabalhando com profissionalismo, afinal recebemos um bom salário e sempre em dia'', responde Waguinho, que admitiu ter ido para lá ''mais pelo aspecto financeiro''. Os salários dos brasileiros (são aceitos apenas cinco estrangeiros por equipe) giram em torno de US$ 4 mil a US$ 6 mil.


